Follow-ons ainda guardam conflito de interesses

Captação de recursos/Temas/Edição 72 / 1 de agosto de 2009
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As empresas do setor financeiro representaram 93,6% do volume total captado com ofertas de ações ao longo do primeiro semestre. O domínio deve-se ao IPO da Visanet, que somou R$ 8,4 bilhões e foi o maior do mundo no período. A participação foi inflada também pelo follow-on da Redecard, de R$ 2,2 bilhões. Em comum, essas operações possuem o fato de alguns bancos terem acumulado papéis. Eles tanto venderam ações como ficaram encarregados de coordenar a oferta.

Esse potencial conflito de interesses é mitigado pelo código de autorregulação da Associação Nacional de Bancos de Investimentos (Anbid) nas ofertas iniciais de ações. O código exige a presença de um coordenador adicional que seja totalmente independente — função que, no IPO da Visanet, foi cumprida pelo JP Morgan. Para as ofertas subsequentes, contudo, não há regulação. Tanto que, na última oferta de ações da Redecard, realizada em março, o Citi, sócio da companhia, vendeu uma parte de suas ações e participou do bloco coordenador. Os demais coordenadores, Itaú BBA e Unibanco, não podiam ser considerados independentes, uma vez que também são sócios.

“Não é necessário exigir a presença de um coordenador adicional quando se trata de uma oferta subsequente. Nestes casos, há a referência dos preços praticados pelo mercado”, justifica Alberto Kiraly, vice-presidente da Anbid. Mas nem todos pensam assim. Nos Estados Unidos, por exemplo, prevalece o princípio de que o conflito de interesses não se dá apenas na questão do preço, mas em outros aspectos do trabalho do coordenador dos quais também se espera total independência. Tanto que a Finra, autorreguladora norte-americana, exige a presença do coordenador independente inclusive nos follow-ons. “A regra americana é melhor, porque o conflito, de fato, existe”, avalia Reginaldo Alexandre, presidente da Apimec-São Paulo.

O tema promete vir à tona com a oferta do Santander. O banco já é listado na Bovespa e, portanto, do ponto de vista técnico, poderia coordenar sozinho a venda de suas próprias ações. Nesse caso, o conflito ficaria ainda mais flagrante, uma vez que os papéis listados não têm liquidez. Ao que tudo indica, o Santander preferirá o caminho de contratar coordenadores independentes. Mas a brecha seguirá aberta.




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