Financiadores do capitalismo criativo

Processos, usos e costumes de uma classe de ativos sui generis — a indústria de venture capital

Gestão de Recursos/Prateleira/Temas/Edição 54 / 1 de fevereiro de 2008
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Expressões idiomáticas impõem desafios a qualquer tradutor. Por um lado, a tradução minimiza a percepção de elitismo que o uso da língua inglesa enseja; por outro, carrega o risco de não exprimir o significado subjacente da expressão, enfraquecendo seu poder de comunicação. Nesse caso particular, o jargão de mercado fala mais alto: as várias maneiras tentadas para exprimir a atividade de venture capital em português ficaram aquém do desejado. Até a entidade do setor no Brasil mudou de nome, de Associação Brasileira de Capital de Risco (ABCR) para Associação Brasileira de Venture Capital e Private Equity (ABVCAP).

Anglicismos à par te, The Money of Invention é um projeto de duas referências acadêmicas da indústria de venture capital, Paul A. Gompers e Josh Lerner, ambos professores da prestigiosa Harvard Business School. O mote da obra é que inovação é algo difícil de financiar, levar ao mercado de produtos e serviços e, finalmente, transformar em riqueza para os empreendedores. Os autores descrevem esses desafios em detalhe na primeira parte do livro, explicando como a indústria evoluiu para enfrentar esses problemas e mitigar riscos no processo de investimentos, tornando-os mais palatáveis aos investidores. Essa primeira parte culmina com uma rica pesquisa que quantifica o papel das empresas financiadas por venture capital na economia norte-americana. As evidências são assombrosas.

Na segunda etapa, Gompers e Lerner falam das empresas de venture capital e dos gestores de fundos que canalizam o capital dos investidores para as opor tunidades (em tese) mais promissoras. Os arranjos contratuais, os incentivos para alinhamento de interesses e as estruturas organizacionais dos venture capitalists são explorados com objetividade em uma narrativa leve. Os professores também demonstram, com bons exemplos, a natureza cíclica do setor, seus altos e baixos, os efeitos sobre a captação de fundos e o ritmo de investimentos em novos negócios.

Por fim, os autores abordam as experiências de todos aqueles que tentam replicar o modus operandi dessa indústria, entre empresas, governo e outros países. Constata-se que, apesar de o venture capital ser um processo característico do capitalismo anglo-saxão, várias nações vêm apresentando sólido desenvolvimento em seus mercados de financiamento de empreendimentos nascentes. Isto é, o modelo pode ser copiado, mas a adaptação ao ambiente regulatório, legal e cultural é fundamental para o sucesso no longo prazo.

Ao concluirmos a leitura da obra, somos imediatamente convidados a refletir sobre o tema da inovação, a máquina de destruição criativa de Joseph Schumpeter. Se o motor de uma economia saudável são os ganhos de produtividade, o combustível é a inovação. No Brasil, por muito tempo a bandeira da inovação foi empunhada timidamente apenas pelas universidades e pelas empresas, devido ao ambiente de negócios hostil à atividade empreendedora (volatilidade, inflação e tributação). A recente onda de captação de fundos de venture capital no País vem complementar o trabalho das universidades e das empresas, dando musculatura a essa atividade tão fundamental para o desenvolvimento econômico. Já podemos sentir o ronco do motor aumentando seu RPM. Só não pode faltar combustível.

The Money of Invention: How Venture Capital Creates New Wealth


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