Exterminador de CO2

Braskem desenvolve polietileno capaz de capturar até 2,5 toneladas de dióxido de carbono da atmosfera

Especial/Governança Corporativa/Reportagem/Sustentabilidade – Coletânea de Casos/Temas / 1 de abril de 2011
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Quando se fala em plástico verde, a primeira coisa que vem à mente é que ele é biodegradável. Mas não é. O plástico verde é reciclável, porém, se jogado fora, leva o mesmo tempo para se decompor na natureza que o material comum. Seu grande benefício ambiental é a redução do efeito estufa, uma vez que é produzido da cana-de-açúcar, cuja plantação propicia a captura de dióxido de carbono (CO2) através do processo de fotossíntese. Para cada tonelada de plástico verde produzida, são capturadas até 2,5 toneladas de CO2 da atmosfera. Foi essa a motivação que levou a Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas, a desenvolver o polietileno verde, resultante da obtenção do eteno produzido a partir da desidratação do etanol da cana-de-açúcar.

O projeto de polímeros verdes começou em 2007. Nos laboratórios do Centro de Tecnologia e Inovação Braskem, foram obtidas as primeiras amostras de homopolímeros e copolímeros, produzidas em escala piloto. Elas foram estudadas e certificadas como sendo 100% de fonte renovável pelo laboratório norte-americano Beta Analytic Inc., líder mundial na análise de isótopos de carbono.

A primeira fábrica para produção do plástico verde foi inaugurada em setembro do ano passado, no Polo Petroquímico de Triunfo (RS). Ao todo, a Braskem investiu cerca de R$ 500 milhões para a construção da unidade, capaz de produzir 200 mil toneladas de polietileno verde por ano. O desenvolvimento do projeto colocou em destaque a capacidade de inovação tecnológica do Brasil. “O plástico verde foi desenvolvido com o objetivo de ser totalmente reciclável, como os plásticos tradicionais, e ter a ‘pegada’ de carbono positiva ao longo do seu ciclo de produção. Se o produto fosse biodegradável, acabaria ‘devolvendo’ o CO2 para a atmosfera”, explica o diretor de biopolímeros da Braskem, Marcelo Nunes.

A captura de dióxido de carbono na atmosfera pelo plástico verde é contabilizada durante a fotossíntese da cana-de-açúcar. Da absorção verificada no crescimento da planta são descontadas as emissões ocorridas no processo de produção de etanol; de eteno oriundo do etanol; e do polietileno proveniente do eteno. Também são abatidas as emissões decorrentes do transporte dos diversos materiais. Se moído e submetido a um processo químico, o polietileno verde pode servir para a produção de mais plástico. Se for queimado, pode ser usado para gerar energia elétrica. Todo esse processo se tornou possível graças à elevada capacidade tanto da cana-de-açúcar em gerar matéria orgânica (biomassa) quanto da molécula de eteno, quando comparado a outros biopolímeros, em armazenar carbono.

A captura de CO2 na atmosfera pelo plástico verde é contabilizada durante a fotossíntese da cana-de-açúcar

O primeiro produto a chegar ao mercado feito com plástico verde foi o Banco Imobiliário Sustentável, resultado de uma parceria de longo prazo da Braskem com a fábrica de brinquedos Estrela. Na versão ecológica, as peças plásticas do brinquedo serão feitas com o polietileno verde. O tabuleiro, a caixa e as cartas são fabricados com papel reciclado. “Existem, hoje, poucos produtos feitos de biopolietileno disponíveis ao consumidor final. A grande parte estará nas prateleiras no segundo semestre deste ano”, afirma Nunes. Em breve, garante o diretor, será possível encontrar o plástico verde nas linhas de produtos da Natura, da Johnson & Johnson, da Procter & Gamble, dentre outros. Alguns deles serão colocados à venda somente no exterior, onde há mais demanda por produtos sustentáveis.

Uma das vantagens do plástico verde é possuir características equivalentes às do polietileno convencional, que permite diversas aplicações. Isso representa uma vantagem em relação aos demais biopolímeros, que possuem aplicações restritas. Com o eteno verde, é possível produzir todos os tipos de polietileno — PEAD (polietileno de alta densidade), PEBD (polietileno de baixa densidade), PEUAPM (polietileno de ultra-alto peso molecular) e PEBDL (polietileno de baixa densidade linear) — com 100% de matéria-prima renovável.

Agora que desvendou a fórmula para produzir o polietileno verde, a Braskem investe na versão sustentável de um outro polímero: o polipropileno verde, uma resina ainda mais resistente. Para cada tonelada do material produzida, 2,3 toneladas de dióxido de carbono são capturadas da atmosfera. Em 2013, a Braskem espera ter uma unidade pronta para fabricar o polipropileno verde, com capacidade mínima de produção de 30 mil toneladas por ano. A operação, segundo Nunes, exigirá um investimento de aproximadamente US$ 100 milhões. O projeto faz parte da estratégia da Braskem de acessar novas fontes competitivas de matéria-prima, em linha com a visão de sustentabilidade da companhia.


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