Escultores de um futuro melhor

A força visionária daqueles que empreendem em favor da transformação social

Prateleira/Temas/Edição 59 / 1 de julho de 2008
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Como disse George Bernard Shaw, “o indivíduo normal se adapta ao mundo; o indivíduo irrazoável persiste na tentativa de adaptar o mundo a si mesmo. Logo, todo progresso depende do indivíduo irrazoável”. Assim como um virtuoso da escultura é capaz de enxergar uma obra-prima em um bloco de pedra bruta, alguns empreendedores encontram inspiração na falta de oferta de produtos e serviços para a base da pirâmide da sociedade.

Eles criam uma visão de que é possível endereçar as necessidades dessa camada desassistida pelos mercados, recusando-se a aceitar os modelos tradicionais que falham continuamente em prover inclusão social. Esse é o tema da obra The power of unreasonable people, escrita por dois pesquisadores e empreendedores sociais ligados a fundações com visibilidade mundial.

Estima-se que o mundo tenha ao redor de 4 bilhões de indivíduos de baixa renda, que formam a proverbial “base da pirâmide”. A despeito do número astronômico de potenciais consumidores, os modelos de negócios tradicionais os condenam a permanecer à margem da sociedade e da cidadania. O que se pode fazer? Pressionar os governos, experimentar novos modelos de negócios além de pesquisar e estudar os modelos não tradicionais que já estão funcionando, dizem os autores.

A obra apresenta inúmeros casos de empreendedores que foram chamados de loucos por suas famílias. Suas idéias, em vez de ampliar o valor do negócio, visavam maximizar o bem-estar da sociedade. O Grameen Bank, que atua em microcrédito na Índia; e o Instituto Renascer, que suporta um hospital para crianças com doenças crônicas no Rio de Janeiro, são exemplos interessantes de desafio ao status quo.

A história de cada um desses empreendedores “irrazoáveis” merece um capítulo ou mesmo um livro. Devido à impossibilidade de fazê-lo, a obra foi estruturada em três blocos, costurando “retalhos” dessas histórias. Na primeira parte (“Criando negócios inovadores”), os autores discutem alternativas de modelos de negócios sustentáveis e como financiá-los. Na parte dois (“Criando os mercados do futuro”), os dez maiores desafios identificados são apresentados como oportunidades a serem endereçadas: envelhecimento da população mundial, nutrição, saúde, educação, dentre outras.

Finalmente, na terceira parte (“Liderando transformações sustentáveis e escaláveis”), a discussão foca o “como” disparar a criação dos negócios para os mercados do futuro.

A despeito da utopia quase missionária em vários momentos, a obra procura agarrar-se em exemplos de que a transformação já está ocorrendo ao redor do mundo. Nesse sentido, ela pode servir como uma interessante fonte de inspiração àqueles que buscam o terceiro setor, mas não entendem os desafios do mundo ou não sabem como colaborar.

Voltemos ao Sr. Muhammad Yunus e seu Grameen Bank para uma parábola. Ao receber o prêmio Nobel, ele descreveu os desatendidos como as “pessoas-bonsai”, em alusão às miniaturas de árvores criadas pelos japoneses. Não há nada de errado com as sementes dessas árvores; elas apenas são plantadas em pequenos vasos, o que limita seu desenvolvimento. Com os menos favorecidos acontece o mesmo: falta-lhes uma base adequada para se desenvolver.

The Power of Unreasonable People: How Social Entrepreneurs Create Markets That Change the World
John Elkington e Pamela Hartigan
Harvard Business School Press
256 páginas
Lançado em 02/2008


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