Enfim, 100% brasileira

Depois de 12 anos controlada por um fundo estrangeiro, Pisani comemora a sociedade com a gestora gaúcha CRP

Gestão de Recursos/Especial/Reportagens/Private Equity e Venture Capital 2010/Temas / 1 de novembro de 2010
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Se para algumas empresas a crise financeira internacional de 2008 significou o fim de seus negócios, para a Pisani, produtora gaúcha de caixas e engradados plásticos, representou um novo começo. A companhia, que por 12 anos foi controlada por estrangeiros, saiu do terremoto financeiro fortalecida e com novos sócios. Agora, como investida da gaúcha CRP Companhia de Participações, colhe os frutos de ser novamente brasileira.

A Pisani foi fundada em 1973 pela família Webber, que percebeu desde cedo que precisaria de sócios para crescer. Ainda na década de 70, fez uma joint venture com uma empresa belga para aprimorar sua tecnologia. A ideia era substituir a fabricação de caixas de madeira por outras mais modernas, feitas de plástico. A parceria durou até 1998, quando os belgas decidiram vender sua participação na sociedade para a britânica Linpac, que passou a deter 75% do capital da Pisani. A Linpac, por sua vez, era controlada pelo fundo de private equity inglês Montagu. Com a crise, a gestora teve de reavaliar seus ativos e optou por se desfazer de participações em países que não considerava estratégicos, como o Brasil.

Foi a oportunidade perfeita para os Webber trazerem o comando da Pisani de volta ao País. Antes que os ingleses pudessem buscar no mercado algum potencial comprador, a família se propôs a, juntamente com a CRP, recomprar a participação da Linpac. A gestora gaúcha, que já tinha os Webber como investidores de seus fundos, se interessou em adquirir 40% da companhia por meio do CRP VI, carteira direcionada a empresas inovadoras que, atualmente, faturam entre R$ 50 milhões e R$ 300 milhões por ano. Dentre os cotistas, estão investidores de peso, como o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), a Fundação de Assistência e Previdência Social do BNDES (Fapes), o fundo de pensão dos funcionários da Petrobras (Petros), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e a Corporação Andina de Fomento. Outros 10% da empresa estão, hoje, nas mãos da curitibana Companhia de Investimentos Teak Ventures.

“A nacionalização do controle trouxe mais agilidade na tomada de decisões”, observa André Lenz, sócio da CRP Participações. O executivo considera que a presença física de todos os sócios no Brasil permite uma avaliação mais ágil das oportunidades e, consequentemente, um ritmo mais acelerado de crescimento. Antes, as decisões comerciais e de investimento precisavam ser submetidas a várias alçadas para serem deliberadas. Isso prejudicava o atendimento às demandas dos clientes, que muitas vezes exigem investimentos em novas tecnologias ou equipamentos. Agora, o processo decisório é menos hierarquizado.

Um dos atrativos que a CRP viu na empresa foi sua atuação em nichos diversificados e voltados para o consumo. A Pisani desenvolve, produz e comercializa soluções em embalagens e outras aplicações de plástico para uso em diversos setores, que vão desde supermercados até a indústria automobilística. Grandes empresas como a Brasil Foods, Marfrig, Coca-Cola, Ambev, Volkswagen e GM estão dentre seus clientes. Lenz espera que o crescimento da Pisani seja impulsionado não só pela expansão do mercado interno, mas também pela substituição gradual das tradicionais caixas de madeira para transporte de frutas e alimentos pelas de plástico, consideradas mais higiênicas.

O sistema de controles internos da Pisani, bem estruturado pela necessidade de prestar contas ao sócios no exterior, também agradou a gestora gaúcha. “Nossa governança corporativa deu conforto ao fundo”, acredita Paulo Francisco Webber, diretor-presidente da Pisani. A CRP, no entanto, não se deu por satisfeita. Instalou um conselho de administração na companhia, no qual tem dois assentos, e tem buscado formas de aprimorar as práticas administrativas, sobretudo, com o objetivo de proporcionar mais dinamismo à gestão.

Estimulada por essa virada e, também, pelo bom desempenho da economia brasileira, a Pisani contabiliza ganhos crescentes. Em 2009, registrou faturamento bruto de R$ 140 milhões, e a expectativa é encerrar 2010 com R$ 200 milhões. Também deve inaugurar este ano uma nova fábrica, no Recife (PE), que reforçará sua presença no mercado nordestino de bebidas, hoje o que mais cresce no País. Atualmente, a Pisani tem fábricas em Caxias do Sul (RS) e Pindamonhangaba (SP).

Segundo Lenz, a CRP pretende realizar o desinvestimento na Pisani em até cinco anos, provavelmente por meio da venda de sua participação a um sócio estratégico. “A abertura de capital é um sonho, mas para isso precisamos ganhar musculatura. O mercado ainda é fechado para empresas de médio porte”, avalia Webber.


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