Empreendedores do risco



Os investimentos de private equity não têm nem uma década de história no Brasil, mas seus registros já são impressionantes. No ano passado, segundo um estudo da PwC, as aquisições feitas por fundos com esse perfil corresponderam a quase um terço dos negócios fechados entre janeiro e outubro. O número é resultado da evolução que o segmento vem experimentando desde 2004, quando a Comissão de Valores Mobiliários plantou a sementinha do private equity no Brasil ao regulamentar os ingressos de capital em empresas privadas por meio de fundos de investimentos em participações (FIPs).

De lá para cá, inúmeros profissionais de investimentos encantaram-se pelo chamado capital de risco. Saíram das instituições em que trabalhavam, encontraram sócios com a mesma disposição e abriram suas próprias firmas de gestão de recursos especializadas em private equity e venture capital. Eles intuiam que os ventos soprariam a favor. Com a economia estabilizada e o mercado de capitais reflorescendo, aquela era a hora de se juntar a empresários visionários e preparar empresas para vender ações na Bolsa de Valores ou para um sócio estratégico.

Foi preciso coragem para enveredar por esse caminho. As taxas de juros eram ainda mais elevadas que as atuais, o que só fazia aumentar a exigência de rentabilidade. Mas essa turma perseverou e hoje tem do que se orgulhar. Assim como os empresários a que se associam, eles também empreenderam, nesse caso para construir a história do investimento de private equity no Brasil. Hoje seus passos estão sendo seguidos por gestores internacionais que a todo tempo xeretam oportunidades por aqui. E até mesmo por grandes bancos brasileiros, que antes passavam longe de investimentos dessa natureza.

Também graças a esses profissionais acumulamos um estoque — ainda pequeno, mas consistente — de boas histórias de investimento. E é para contá-las aos empresários, gestores e investidores interessados em private equity que a CAPITAL ABERTO publica esta segunda Coletânea de Casos voltada a capital de risco (a primeira circulou em setembro do ano passado). Trata-se de uma seleção de situações variadas de investimento desprovida de qualquer pretensão de sugerir um ranking ou indicar as melhores histórias.
Esperamos que gostem.


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