Do mercado para o governo

Em “In an Uncertain World”, Robert Rubin fala de suas experiências na gestão Clinton após 26 anos de Goldman Sachs e da aplicação do modelo probabilístico de tomada de decisões na administração pública.

Gestão de Recursos/Edição 10/Prateleira/Temas / 1 de junho de 2004
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Muitas vezes a entrada de “operadores de mercado” na administração pública funciona bem. No Brasil, a CVM montada por Roberto Teixeira da Costa e a gestão Armínio Fraga no Banco Central foram exemplos da boa performance de operadores no governo. Nos Estados Unidos também é praticada a trajetória de Wall Street para Washington. E Robert Rubin é a estrela mais recente, pela publicação do livro “In an Uncertain World” de dezembro de 2003. Rubin trabalhou por 26 anos no banco de investimento Goldman Sachs, de onde saiu como co-senior partner, e participou durante sete do governo Clinton como membro do Conselho de Consultores Econômicos e, depois, como Secretário do Tesouro. Nos últimos quatro anos, é membro do conselho de administração do Citigroup.

A EDUCAÇÃO DO MERCADO – Trabalhar no Goldman Sachs foi o sonho de muitos profissionais do mercado, principalmente pela mitologia dos ícones da cultura de sucesso da firma. Rubin começou como operador de arbitragem subordinado diretamente a Gustave Lehmann Levy, que também foi presidente do conselho da Bolsa de Valores de Nova York. Levy criou a chamada “arbitragem de risco”, operação que envolve trocas de ações nas operações de fusões e aquisições. Foi nesta atmosfera de riscos que Rubin resgatou lições do seu professor de filosofia em Harvard, Raphael Demos, de que nada pode ser provado como certo. Segundo Rubin, o pensamento probabilístico tem sido um processo altamente consciente na tomada de decisões. “Por melhor que seja o potencial retorno de um investimento, nada pode ser considerado como certo e seguro. O sucesso chega pela avaliação de todas as informações disponíveis para julgamento das peculiaridades dos vários fluxos de investimento e das possibilidades de ganhos e perdas associados a cada um. Minha vida em Wall Street foi baseada em decisões probabilísticas que fiz no dia-a-dia”, afirma. Em toda sua trajetória profissional, Rubin aplicou o pensamento probabilístico na tomada de decisões, inclusive em seu período de administração pública na Casa Branca. Quando uma decisão é tomada com esse pensamento, segundo Rubin, ela também corre o risco de resultar em fracasso. Mas não necessariamente terá sido a decisão errada.

IN AN UNCERTAIN WORLD Robert E.Rubin e Jacob Weisberg | Editora Random House (ainda sem tradução para o português)

A EDUCAÇÃO POLÍTICA – As diferenças entre os setores público e privado também deixaram lições importantes para Rubin. “No setor privado, o objetivo principal é fazer lucro. No governo, temos que lidar com vários objetivos multilaterais e potencialmente competitivos entre si”, afirma. Produzir energia atendendo aos limites de proteção ambiental, por exemplo, ou regular normas de segurança cumprindo as metas de produtividade. É nesta pluralidade de objetivos que reside a complexidade do processo, segundo Rubin.

Nosso sistema constitucional de aprovações e equilíbrio tem múltiplos centros de decisão: o congresso, o Poder Executivo, os tribunais e os governos locais. Sempre o relacionamento entre os participantes é um ponto de conflito e o equilíbrio do poder é ambíguo. Mais ainda, muitos dos participantes ficam sujeitos ao julgamento eleitoral e, finalmente, todos estão sujeitos à forma como os fatos serão apresentados pela mídia. Resultado de uma visão muito especial de política e mercados, “In an uncertain world” é garantia de uma boa leitura.




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