Dividendos como isca

O momento é propício para as empresas incrementarem a distribuição de lucros

Captação de recursos / Artigo / Temas / Edição 106 / 1 de junho de 2012
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Temos hoje no Brasil um cenário em que o mercado de ações começa a ser reconhecido pelos vários segmentos da sociedade, principalmente pelo governo, como um importante instrumento de captação de recursos para financiar o crescimento das empresas de todos os setores e o desenvolvimento da infraestrutura. Com a redução da taxa de juros, a tendência é de que um número cada vez maior de investidores também vislumbre no investimento em ações uma forma de poupança e de formação de patrimônio com ganhos mais atraentes no longo prazo.

Nesse contexto, ganham ainda mais relevância as companhias que distribuem altas parcelas de dividendos. Elas oferecem rendimentos que vão além do sobe e desce do valor das ações. Em geral, são empresas que já fizeram grandes investimentos e estão consolidadas no setor em que atuam, com condições de oferecer aos acionistas uma participação maior em seus resultados.

Em tempos de incertezas relacionadas a crises, como a que enfrentamos agora na Europa, as ações que oferecem bons dividendos constituem-se também em instrumento de proteção para os investidores. Como são de companhias maduras, com baixo endividamento e grande geração de caixa, é menor o risco de sofrerem pressões negativas em seus resultados por conta da crise.

Dessa forma, as ações de dividendos podem ser uma opção para investidores que estão pensando em migrar da poupança, por exemplo, para outras formas de aplicação que ofereçam resultados atraentes e um risco não muito alto.

É um momento, portanto, de boas oportunidades para as companhias que desejam conquistar mais investidores e estão prontas para repartir uma fatia substanciosa de seus lucros. Elas podem aproveitar para ampliar o valor das parcelas distribuídas ou reduzir sua periodicidade, por exemplo. Na BM&FBovespa, a distribuição é trimestral. Mas iniciamos estudos para discussão com o nosso conselho de administração, em reunião estratégica de fim de ano, sobre a possibilidade de adotarmos uma política de distribuição mensal, a partir de 2013.

Uma forma de mensurar o comportamento das ações que se destacam pela remuneração dos investidores, por meio de dividendos e juros sobre capital próprio, é o Índice de Dividendos da BM&FBovespa. O indicador acumulava alta de mais de 7% neste ano, até o dia 20 de maio, diante de uma queda de quase 4% do Ibovespa no mesmo período. O índice é composto das ações de companhias que apresentaram os maiores dividend yelds nos últimos 24 meses anteriores à seleção da carteira.

A BM&FBovespa oferece também um instrumento que facilita o investimento nessas empresas. É o Exchange Traded Fund (ETF) ou fundo de índice constituído pelas ações integrantes desse índice e que reflete, portanto, o desempenho do indicador. Cada ETF é negociado na Bolsa como se fosse uma ação. Assim, ao adquirir cotas do ETF de dividendos, o investidor pode participar dos rendimentos de todas as companhias que estão no índice.

O compartilhamento de lucros com os investidores é uma das mais expressivas contribuições do mercado de ações para melhorar a distribuição de renda. Representa a democratização do capital, que circula na sociedade de uma forma mais ampla, em vez de ficar restrito a um pequeno número de pessoas que controlam a empresa.



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