Dinheiro virtual

Confiante no crescimento do comércio eletrônico, Ideiasnet apostou na startup de micropagamentos MoIP

Especial/Gestão de Recursos/Reportagens/Private Equity e Venture Capital 2010/Temas / 1 de novembro de 2010
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Luis Alberto Reátegui, CEO da Ideiasnet, é especialista em identificar companhias com alto potencial de crescimento nas áreas de tecnologia, mídia e telecomunicações no Brasil. Em 2009, mesmo ano em que vendeu 25% da empresa de processamento de pagamentos para e-commerce Braspag ao Grupo Silvio Santos por R$ 6,5 milhões — valor 3.000% maior que o investido pela IdeiasNet três anos antes —, resolveu apostar no MoIP Pagamentos. Em comum, as duas empresas têm o fato de serem fundadas por jovens empreendedores e apostarem na explosão do comércio eletrônico no País.

A IdeiasNet pagou alguns milhões de reais — o valor exato do investimento não é revelado — para comprar 12% do MoIP Pagamentos, então uma modesta empresa de micropagamentos com menos de 7 mil usuários cadastrados, gerida pelos sócios Leonardo Mendes, Daniel Fonseca e Igor Senra. Concebido num polo tecnológico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o negócio partiu de uma ideia de Mendes e Fonseca. A dupla criou uma espécie de PayPal brasileiro, inspirado na gigante de pagamentos online norte-americana, vendida por seus criadores ao eBay em 2002 pela cifra de US$ 1,6 bilhão.

O primeiro aporte no MoIP foi feito pelo investidor anjo Senra em 2006, atual sócio e diretor de relações com investidores (RI) da empresa. Ele injetou R$ 60 mil no MoIP antes de ela ser constituída formalmente em 2007. Depois, uma segunda quantia foi levantada com o IG, braço de internet do grupo Oi, que comprou uma pequena participação na companhia. Em 2009, o trio conseguiu o primeiro investimento de vulto, ao transferir parte do capital da MoIP para a Ideiasnet.

O dinheiro foi usado para ampliar a estrutura e a atuação da empresa. Em três anos, o número de funcionários saltou de oito para mais de 50. Além disso, o MoIP passou a aproveitar a sinergia que tem com outras empresas do portfólio da Ideiasnet. Tornou-se a ferramenta preferencial de pagamentos eletrônicos do Zura!, empresa investida da holding que oferece serviço de comparação de preços e é vice-líder de seu segmento no Brasil, atrás apenas do Buscapé. “Em três anos, saímos de uma carteira de 7 mil usuários cadastrados para mais de 80 mil”, afirma Senra.

Reátegui conta que, anualmente, recebe centenas de empreendedores à procura de investimento para seu negócio. Para escolher em qual apostar, seu time observa as perspectivas setoriais da startup, o desenho do modelo de negócios e, sobretudo, a formação e a visão de mercado de quem conduzirá a empresa. “Já vi bons projetos fracassarem nas mãos de maus gestores. Mas também vi projetos com problemas se tornarem bem-sucedidos quando tocados por gente competente e de visão”, diz o CEO da Ideiasnet.

No caso do MoIP, além do talento do trio empreendedor, jogou a favor da empresa a explosão do comércio eletrônico no Brasil. Segundo projeção da consultoria eBit, a previsão é que o segmento fature R$ 14 bilhões em 2010, 35% mais que em 2009, quando esse valor atingiu cerca de R$ 10,6 bilhões. Após passar praticamente inabalado pela crise mundial que afetou a economia no fim de 2008 até meados de 2009, o e-commerce vem ganhando força, principalmente devido à retomada do crédito ao consumidor. O ingresso de players no ambiente virtual, a consolidação de outros e a fusão de grandes grupos de varejo conhecidos no mundo offline contribuíram para trazer novos consumidores para esse canal e alavancar as cifras do setor.

“Cada vez mais as pessoas querem comprar pela internet, seja pela facilidade ou pela possibilidade de pesquisar várias lojas e encontrar o melhor preço”, explica Senra. “Há quatro anos, muita gente tinha medo de usar cartão de crédito ou cadastrar-se em serviços de pagamento virtual. Hoje, elas já se sentem mais seguras”, acrescenta.

O modelo de negócios do MoIP é similar ao do PayPal e seus rivais nacionais, o PagSeguro do UOL e o Pagamento Digital, usado por MercadoLivre e BuscaPé. Em vez de preencher fichas e fornecer suas informações a cada loja online que visita, o usuário cadastra-se gratuitamente no MoIP e vai às compras sem espalhar os seus dados financeiros na internet. Se preferir, também pode depositar recursos via transferência bancária ou boleto para sua conta no MoIP e utilizar esse valor para adquirir produtos na web de modo mais rápido e seguro. O faturamento do MoIP vem das comissões que cobra dos lojistas que utilizam o seu serviço.

Por enquanto, a Ideiasnet não pensa em se desfazer da participação que detém no capital da empresa. O objetivo é aproveitar os ganhos que ainda podem ser auferidos com o ritmo acelerado de expansão do MoIP. Os sócios esperam encerrar 2010 com um volume de vendas de R$ 350 milhões, contra os R$ 100 milhões registrados em 2009.


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