Dinheiro alternativo

Empresas de saneamento aderem à captação de recursos com o FGTS por meio de debêntures

Bimestral / Relações com Investidores / Temas / Edição 92 / 1 de abril de 2011
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A opção de emitir debêntures para serem adquiridas com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) conquistou as empresas do setor de saneamento. Flexível, rápida e menos burocrática, a operação, autorizada pela Caixa Econômica Federal (CEF) em 2009, tornou-se mais atrativa do que uma captação tradicional de dinheiro público.

Apenas duas empresas do setor — Sabesp e a Foz Jaguaribe — utilizaram esse canal até agora. Mas a CEF, gestora do fundo, vê uma tendência de crescimento: ela analisa a aquisição de debêntures que, somadas, alcançam R$ 2 bilhões. Desse total, R$ 288 milhões estão garantidos para o investimento em títulos da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa).

“Se eu esperasse recursos do PAC para realizar as obras, provavelmente demoraria mais e o volume obtido seria menor; se vendesse debêntures no mercado, teria de pagar, na melhor das hipóteses, o DI”, explica Valdir Guimarães dos Santos, superintendente financeiro da Copasa. A empresa terá 20 anos de prazo, com carência de 42 meses e juros de 9% ao ano (contra cerca de 11% do CDI). A operação deve ser concluída até maio. O banco que atuará como intermediário será escolhido em abril por licitação.

Para a Sabesp, a emissão é mais uma opção de financiamento. De acordo com Mario Sampaio, superintendente de captação de recursos e relações com investidores (RI) da companhia, as debêntures emitidas, no montante de R$ 500 milhões, têm prazo de 15 anos, com pagamento a partir do 49º mês e juros de 9,5% ao ano. Quando comparado com empréstimos internacionais, o dinheiro do FGTS tem ainda a vantagem de não estar sujeito a variações cambiais. “Estão sobrando recursos no fundo para financiar saneamento e habitação”, diz Sampaio.

Antes de 2009, a aquisição de debêntures com recursos do FGTS era autorizada apenas para o setor de habitação. A iniciativa de usar o fundo para esse fim é elogiada por Marcelo Michaluá, sócio-diretor da RB Capital. Em sua visão, a utilização intensiva de instrumentos desse tipo nos últimos anos foi uma reação eficiente ao aperto do crédito no setor privado após a crise de 2008. “Uma empresa como a RB capital conseguiu, com a CEF, canalizar recursos baratos para prover financiamento e crédito imobiliário para projetos residenciais. Antes, isso estava nas mãos dos bancos”, explica.


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