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Todo veículo de imprensa diligente com seus leitores sabe os deveres que lhe cabe. É preciso apurar com persistência, informar com precisão, esclarecer o máximo possível e embalar o trabalho em textos e imagens de qualidade. Cabem também à imprensa alguns compromissos inerentes ao seu ofício, dentre eles os de buscar a pluralidade, provocar a reflexão e alertar.

Nesta edição, a propósito, nossa preocupação com o papel de alertar está presente em boa parte das reportagens. Chamamos a atenção dos profissionais de RI sobre a necessidade de serem proativos em tempos de crise. Apontamos os cortes de verba com ações de sustentabilidade. Mostramos o desempenho aquém do esperado de empresas que se listaram na bolsa de valores ainda em fase pré-operacional. Reunimos casos de companhias que enxugaram suas áreas de RI durante a crise. Exploramos os riscos crescentes da atividade de conselheiro de administração e seus impactos sobre a atratividade da profissão. Demonstramos os efeitos adversos dos empréstimos pré-IPO (chamados de equity kicker) sobre os papéis do emissor no médio prazo.

Tantos alertas podem provocar uma impressão geral de informação negativa. E talvez alguns leitores se ressintam disso. Mas o que fazer se o nosso insumo é a informação e, por ora, infelizmente, as notícias mais relevantes não são das melhores? Nessa mesma linha, algumas empresas ficaram incomodadas com a seção Pratique ou Explique (leia na página 48), em vigor desde a edição de setembro de 2008.

O modelo “comply or explain”, que inspirou a seção, surgiu na Inglaterra e vem ganhando adeptos no mundo todo. Seu princípio é o de que aspectos de governança não devem ser exigidos por lei ou regulamentação, mas sim sugeridos e adotados conforme as necessidades de cada companhia. Aos investidores, é devida uma explicação quando um item não é praticado. Assim, não se perdem de vista as referências das melhores práticas, nem se tira das companhias a chance de fazer suas próprias escolhas e de convencer os investidores sobre os benefícios delas. Um sistema que, assim como a imprensa, promove a reflexão, acredita na pluralidade e faz o alerta.

Aproveitando essa semelhança, trouxemos o modelo inglês para dentro das páginas da CAPITAL ABERTO. Mas, surpreendentemente, temos nos deparado com a insatisfação de algumas companhias, que se sentem constrangidas a tocar num assunto que não querem. Entendemos que a seção está em linha com o jornalismo que nos propomos a executar. Seu papel é mostrar o grau de adesão às práticas de governança recomendadas e, mais do que isso, valorizar as explicações das companhias que não vêem esses princípios como os mais adequados. Assim, esperamos prestar um serviço para os emissores — que agora têm um espaço, na versão impressa e no site da revista, para expor seus argumentos — e para os investidores, que ganham novas informações para avaliar a governança das companhias.


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