Corretora do Merrill Lynch impõe cota de “sell” para área de research



A corretora do Merrill Lynch, a maior norte-americana, quer mudar a imagem dos analistas dos bancos de investimento de Wall Street, vistos como “otimistas” demais. Sabe-se que esses profissionais, mesmo em períodos difíceis, raramente falam em venda (sell) das ações. Nos Estados Unidos, brinca-se que eles até evitam pronunciar a letra S.

Para pôr fim a essa fama incômoda, o banco revelou, no dia 13 de maio, um novo sistema de avaliação de ações. Seus analistas, agora, são orientados a dar uma classificação “underperform” — desempenho abaixo da média do mercado — para um em cada cinco papéis analisados.

O banco avaliou o período de 1997 a 2007 e descobriu que, em média, a cada ano, 37% das ações do índice MSCI World e 40% das ações do Standard & Poor’s 500 registraram queda. A Merrill Lynch cobre cerca de 75% dos papéis de cada um desses índices. Com base nisso, a corretora decretou que nenhum analista poderá assinalar o “buy” para mais de 70% das ações que cobrir. A posição neutra não deve exceder 30% e o “underperform” não pode representar menos de 20% das orientações.

A medida foi vista como uma tentativa de promover um maior ceticismo entre os analistas. Sempre paira no ar a suspeita de que, influenciados pelos interesses comerciais dos bancos de investimento a que estão vinculados, esses profissionais não trabalham com a independência que deveriam. “Há um mérito nessas mudanças, mas é improvável que elas consigam resolver os conflitos de interesses inerentes à atividade dos bancos de investimento”, disse James L. Melcher, gestor de um hedge fund, ao jornal The New York Times. Atualmente, os hedge funds preferem fazer o research por conta própria, ou pagar até duas vezes mais caro do que o cobrado pelos bancos de investimento, para garantir a isenção da análise, segundo o gestor.


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