Cores vivas sobre a história

Biografia de Rocha Azevedo retrata a evolução de instituições que simbolizam o capitalismo de mercado no País

Governança Corporativa/Prateleira/Temas/Edição 56 / 1 de abril de 2008
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Quando a história de uma instituição importante se entrelaça com a vida de um de seus arquitetos, o relato biográfico do protagonista torna-se a forma mais leve e entretida de contá-la. Aos interessados em compreender o desenvolvimento do mercado de capitais no Brasil, a obra sobre a vida de Eduardo da Rocha Azevedo pinta com cores vivas a trajetória das instituições que simbolizam o capitalismo de mercado no País.

A autora Ângela Ximenes costura a história de Azevedo através de narrativas e trechos de entrevistas (um total de 107) daqueles que com ele conviveram em diversas etapas dos seus 58 anos de vida. O efeito é interessante: os mesmos fatos são relatados por vários pontos de vista, o que confere o caráter multifocal característico do livro. Um dado inescapável é a consistência da personalidade de Azevedo: os traços de irreverência, força de caráter e bom humor estavam presentes desde a infância. À vida coube a tarefa de acrescentar outros, como a tenacidade e o empreendedorismo.

De aluno relapso a corretor de valores, Azevedo caiu quase de pára-quedas na organização da bolsa paulista, para então tomar gosto pelo projeto e entregar-se a ele. São inúmeras as passagens onde os confrontos com o governo, a CVM e a Bolsa do Rio de Janeiro colocaram em xeque a própria sobrevivência de alguns projetos, como o da Bolsa Mercantil & de Futuros (BM&F), criada no fim de 1984. O ponto culminante desses desafios consistiu no caso Naji Nahas, no fim dos anos 80, que debilitou a Bolsa do Rio e consolidou a Bovespa como a principal do País.

O fracasso de Nahas abalou algumas corretoras, que foram socorridas por empréstimos sem juros concedidos pela Bovespa, a partir de uma decisão pessoal de Azevedo e contrária ao estatuto da bolsa. Em 1992, a atitude foi contestada por um inquérito administrativo orquestrado pelo conselheiro Luiz Masagão Ribeiro, que se viu obrigado a recuar diante da força do ex-presidente entre os corretores. Conflitos como esse acabaram por criar adversários nas esferas profissional e pessoal, com repercussões no âmbito da Justiça. A despeito de ter sido absolvido nos processos, ficaram as cicatrizes dos relacionamentos estremecidos e do desgaste pessoal e familiar.

Hoje em dia, Bovespa e BM&F são empresas abertas, com ações cotadas em bolsa. Seus IPOs ficaram entre os 10 maiores do mundo em 2007. Os tempos difíceis da década de 80 ficaram para trás. No entanto, foi exatamente nessa época, em um ambiente econômico hostil e turbulento, que se lançaram os alicerces de governança para um projeto de longo prazo. Azevedo assumiu a Bovespa aos 32 anos e a presidiu entre 1981 e 1989 com visão empresarial. Promoveu a viabilidade econômica, a profissionalização, as melhores práticas e a modernização da bolsa. Poucos têm, tão cedo, uma história de realizações notáveis como essas para contar.


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