Injeção de responsabilidade

Regras da Lei das Estatais e da B3 impulsionam capacitação dos auditores internos

Contabilidade e Auditoria/Artigo / 25 de março de 2018
Por     /    Versão para impressão Versão para impressão


Marcelo Fridori*

Marcelo Fridori*

Está diante dos auditores internos no Brasil uma realidade renovada, com rigorosas exigências e novos desafios de governança que certamente vão gerar bons frutos para a gestão das corporações. Trata-se de importantes novidades, como a edição da Lei das Estatais (13.303/16) e a recente reformulação do regulamento do Novo Mercado da B3. As mudanças ensejam o aperfeiçoamento das estruturas de governança das empresas e a otimização de processos e resultados. O que antes poderia ser apenas uma prática recomendável, afinal, passou a obrigação.

É inegável a importância crescente conquistada pela auditoria interna no mundo corporativo nos últimos anos. No mercado brasileiro, a Lei das Estatais e a B3 ratificaram a obrigatoriedade do trabalho dessas áreas para as empresas de capital aberto listadas no Novo Mercado e para todas as estatais e sociedades de economia mista.

E não se trata de qualquer auditoria. Não basta chamar algum analista de auditor interno e fingir que, em um passe de mágica, todas as obrigações legais e normativas passarão a ser atendidas imediatamente. É conveniente que as empresas se alinhem à estrutura internacional de práticas profissionais do IIA (The Institute of Internal Auditors), maior entidade representativa da profissão no mundo, com cerca de 190 mil associados. Fica sob a responsabilidade da auditoria a avaliação da eficácia dos processos de gerenciamento de riscos, de controle e de governança, uma missão extremamente desafiadora.

Sabe-se que uma avaliação desse tipo, tão abrangente e complexa, só será efetiva se preencher alguns requisitos mínimos, dentre os quais destacam-se a independência e a capacitação técnica.

Com relação à independência, tanto a B3 quanto a Lei das Estatais resolveram a questão estabelecendo a subordinação da auditoria interna ao órgão de governança que ocupa o nível mais elevado dentro de uma organização: o conselho de administração. É de se supor que essa posição na estrutura corporativa assegure a independência suficiente para o desenvolvimento desse trabalho.

Quanto à capacitação técnica, entretanto, a solução não passa apenas por simples alteração de subordinação hierárquica na estrutura organizacional. É preciso ir muito além. O auditor nunca conseguirá avaliar a adequação do controle interno sem conhecer com profundidade as premissas do Internal Control Integrated Framework (COSO), criado por uma entidade internacional sem fins lucrativos que promove a melhoria dos relatórios financeiros com base na ética e na boa governança corporativa.

A mesma questão também integra o COSO-ERM (Enterprise Risk Management Integrated Framework) no que se refere à avaliação da efetividade do gerenciamento de riscos. Os desafios abrangem ainda os pronunciamentos técnicos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), imprescindíveis para a avaliação da confiabilidade de demonstrações financeiras.

Essas referências são obrigatórias, mas não são suficientes. O auditor interno deve conhecer também, por exemplo, metodologias de planejamento estratégico, ciência de dados e mecanismos de programas de integridade — sob o risco de descumprir um princípio do Código de Ética da profissão, segundo o qual os auditores internos devem se comprometer somente com aqueles serviços para os quais tenham os necessários conhecimentos, habilidades e experiência.

A correta imposição da Lei das Estatais e da B3 movimentou o mercado — para o bem. Foi uma injeção de responsabilidade corporativa fundamental, incentivadora de evoluções na carreira do auditor interno. E só há um caminho: o da capacitação, seja por meio de cursos e certificações ou até mesmo por consultas pontuais a livros ou material de referência na internet. A nova realidade da auditoria interna já pulsa. A tão almejada valorização da carreira é um fato, mas apenas para aqueles que a enxergam de forma ampla e estratégica.


* Marcelo Fridori ( Marcelo.fridori@iiabrasil.org.br) é diretor financeiro do IIA Brasil e superintendente de auditoria da Sabesp




Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie


Tags:  Auditoria interna/ externa Lei das Estatais Marcelo Fridori Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Criptofundos entram na mira da SEC
Próxima matéria
A elite precisa se engajar



Comentários

Escreva o seu comentário sobre este texto!

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Recomendado para você





Leia também
Criptofundos entram na mira da SEC
Hedge funds que investem em moedas digitais estão sob escrutínio da Securities and Exchange Commission (SEC). A reguladora...
{"cart_token":"","hash":"","cart_data":""}