Construindo sucesso

Medalha de bronze no ranking, Brookfield se favorece da demanda alta por imóveis corporativos

Captação de recursos/Especial/Reportagem/As Melhores Companhias para os Acionistas 2010/Temas / 1 de setembro de 2010
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Num momento em que o céu parece ser o limite para o mercado de construção civil, a Brookfield, companhia que resultou da integração de três empresas consagradas — Brascan Residential, Company e MB Engenharia —, alça voos cada vez mais altos. Terceira colocada no ranking As Melhores Companhias para os Acionistas na categoria de valor de mercado de até R$ 5 bilhões, a empresa obteve nota 9 no quesito total shareholder return (TSR), índice que mede a valorização da ação da companhia, acrescida dos dividendos. Nos 12 meses encerrados em 31 de maio de 2010, o retorno dos papéis da Brookfield, medidos pelo TSR descontado o custo de oportunidade do capital do acionista, foi de 84,7%.

E a expectativa é que a alta continue. Ao divulgar a carteira de ações recomendadas para o mês de agosto, a XP Investimentos anunciou a retirada das ações ON da PDG Realty e do Iguatemi, e a inclusão dos papéis ON da Brookfield. Segundo a corretora, as ações da incorporadora estão sendo negociadas com relevante desconto em relação às suas principais concorrentes. “Como a divisão brasileira de uma das maiores incorporadoras do mundo, a companhia vem reportando fortes números. Acreditamos que eles deverão seguir elevados em 2010 e, à medida que forem divulgados, a Brookfield tende a ser mais bem precificada”, ressaltou a XP em relatório enviado ao mercado. No segundo trimestre de 2010, o lucro líquido da Brookfield atingiu R$ 132,6 milhões, um aumento de 65,6% quando comparado com os R$ 80,1 milhões registrados no mesmo período de 2009.

No item valor econômico adicionado (EVA), estimativa do lucro econômico após a subtração do custo de oportunidade do capital empregado no negócio, a Brookfield alcançou nota 8. A variação desse indicador entre 2008 e 2009, no entanto, ficou negativa em 1,4%. Segundo Nicholas Reade, presidente da Brookfield, a retração da economia entre o último trimestre de 2008 e o primeiro semestre de 2009 prejudicou as vendas da empresa e do setor imobiliário como um todo. Mas agora, longe da crise, a tendência é que o setor se recupere, tendo como base o crescimento acelerado do crédito para atender a um déficit habitacional estimado em 7 milhões de moradias. No Brasil, o crédito habitacional equivale a apenas 3,3% do PIB, atrás de outros emergentes, como Índia (5%) e China (12%).

“A Brookfield, apesar de ter ativos elevados, suficientes para as dívidas de curto prazo, demorou um pouco para reagir à crise. Mas em 2010 ela está entregando excelentes resultados, que deverão se manter com a forte entrega de empreendimentos prevista para os próximos dois anos”, avalia Ricardo Martins, gerente da área de pesquisa da Planner.

Diferentemente de algumas outras incorporadoras, a Brookfield pouco se beneficiou do programa do governo federal Minha Casa, Minha Vida, voltado para moradias populares. Esse nicho representou apenas 20% dos lançamentos do ano passado da incorporadora. Já a demanda por imóveis corporativos nas principais capitais do País, o ponto forte da Brookfield, continua intensa, segundo Martins. “A Brookfield conseguiu alavancar seus resultados operacionais e financeiros com a venda, no primeiro semestre deste ano, de um edifício comercial na Faria Lima por R$ 600 milhões para o grupo Malzoni. A receita pode crescer no segundo semestre, com a entrega de diversos projetos em fase de conclusão”, diz o analista.

No Brasil, o crédito habitacional equivale a apenas 3,3% do PIB, atrás de outros emergentes, como Índia (5%) e China (12%)

Mas não é só com resultados que a companhia está preocupada. Segundo Reade, o grupo também quer aprimorar suas práticas de governança. Para isso, tem apostado no relacionamento com o investidor ao promover um maior número de encontros com analistas e conferências. “O objetivo é melhorar a qualidade e a quantidade de informações transmitidas ao mercado”, afirma o presidente.

A Brookfield obteve nota 8,65 em governança, acima da mediana de 8,05 de sua categoria. A companhia ainda não divulga informações importantes aos acionistas, como a remuneração detalhada de seus executivos e conselheiros, nem a política de dividendos.

Ampliar a liquidez das ações também será fundamental para que, no futuro, a companhia ingresse no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da BM&FBovespa, observa Reade. Um bom sinal é que as ações ON da Brookfield foram incluídas na carteira teórica do Ibovespa, válida de setembro a dezembro de 2010. Além disso, a incorporadora assinou um acordo, no valor de US$ 47 milhões, com a International Finance Corporation (IFC), divisão do Banco Mundial para o setor privado, para a criação de uma empresa de baixa renda, que atuará no programa Minha Casa, Minha Vida. Para isso, a incorporadora se comprometeu a cumprir todas as exigências da instituição e a seguir padrões rigorosos de sustentabilidade em seus projetos.




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