Consciência ambiental

Como a emissão de gases de efeito estufa vai afetar os preços da energia e os negócios em um futuro não muito distante

Gestão de Recursos/Prateleira/Temas/Edição 62 / 1 de outubro de 2008
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É difícil passar qualquer dia sem que sejamos instados a refletir sobre o aquecimento global e as conseqüentes mudanças climáticas em processo. No entanto, estamos “acostumados” a tratar esse assunto do ponto de vista de cidadãos e não como empresários ou empreendedores. Isto é, encaramos o problema como se fosse uma mera externalidade do processo de desenvolvimento, a ser resolvida pela sociedade. Governos são encarregados de monitorar e limitar os efeitos colaterais do desenvolvimento, moldando o comportamento das empresas através de punições ou incentivos. Mas o desafio mundial é como organizar a ação dos diferentes países soberanos, uma vez que há tanto países emissores quanto neutralizadores de gases. Os problemas na assinatura do Protocolo de Kyoto demonstram que pouco conseguiremos através da “boa vontade” de cada um.

Essa é a moldura para a obra Mudanças climáticas: desafios e oportunidades empresariais, de dois acadêmicos norte-americanos. Eles argumentam que, devido à dificuldade em coordenar incentivos e punições transnacionais, para limitar os efeitos das emissões de gases de efeito estufa, estes serão incorporados ao custo da energia, afetando a todos os bens e serviços da sociedade. Isto é, o meio ambiente será tratado como um bem escasso, cujo uso tem um “preço”. Naturalmente, essa transição implicará deslocamentos tectônicos entre os competidores em vários mercados, o que nos leva às principais reflexões sobre estratégia competitiva contidas na obra:

• Em primeiro lugar, entenda qual a exposição de sua empresa ao risco carbono. Para responder a essa pergunta, é necessário identificar a origem e os tipos e magnitude de emissões que sua empresa gera; avaliar as suscetibilidades de seus negócios com relação aos limites de emissão; e comparar sua vulnerabilidade com a dos concorrentes.

• Em segundo lugar, tome atitudes tangíveis para reduzir o rastro de carbono e avalie as oportunidades de negócio relacionadas. Obviamente, novas necessidades significam novas áreas funcionais na organização, sempre a partir do envolvimento da alta direção. Equipes multifuncionais de eficiência energética com objetivos, metas e recursos têm aparecido com freqüência nas organizações de ponta. Contudo, uma mudança de atitude duradoura só se consegue através do engajamento de todos na organização (os princípios devem ser absorvidos pela cultura da empresa).

• Finalmente, seja proativo, influenciando o desenvolvimento de políticas relacionadas à emissão de gases.Há um ditado que diz que “quem não está à mesa, está no menu”. Estabeleça um mecanismo efetivo para acompanhar e influenciar o processo de definição de políticas como forma de mitigar o risco regulatório.

A despeito dos interessantes Conselhos para o CEO — título que denomina a série na qual a obra está inserida — um ponto central que precisa ser consolidado é o sistema de preços para as emissões de carbono. Ainda parece complexo estimar o valor equivalente à emissão de uma tonelada de carbono. Os preços variam desde US$ 0,39 no início de 2007 (na Chicago Climate Exchange) a US$ 15 a 40 (na European Union Emissions Trading Scheme). Sem o necessário esclarecimento do sistema de preços, as iniciativas empresariais na área da emissão de gases correm sério risco de serem rotuladas de “estratégicas”. Como sabemos, trata-se de uma espécie de “senha” corporativa quando os projetos não precisam de argumentação econômica para aprovação.

Mudanças Climáticas: Desafios e Oportunidades Empresariais
Andrew Hoffman e John Woody
Editora Campus
152 páginas — 1ª edição


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Tags:  gases de efeito estufa aquecimento global Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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