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Movimento Cyan, encabeçado pela Ambev, busca envolver a sociedade em torno da importância do uso racional da água

Especial/Governança Corporativa/Reportagem/Sustentabilidade – Coletânea de Casos/Temas / 1 de abril de 2011
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Que a água é um insumo estratégico para a Ambev ninguém tem dúvidas. A cerveja, principal produto da companhia, contém 95% do líquido essencial para a vida no nosso planeta. Nada mais natural, portanto, que a promoção do uso racional da água seja uma bandeira levantada por essa que é a quarta maior cervejaria do mundo. A mais recente iniciativa da Ambev em relação ao tema foi o lançamento do Movimento Cyan, que pretende despertar em toda a sociedade a consciência para o valor da água.

A Ambev já primava pelo controle do uso da água antes mesmo de a palavra sustentabilidade entrar no vocabulário corporativo. Segundo Ricardo Rolim, diretor de relações socioambientais, a companhia possui, desde sua criação há 19 anos, sistemas de gestão ambiental nas indústrias. Todas elas possuem metas de ecoeficência que têm como finalidade a redução de custos operacionais. Embora não pague pela água — oriunda de poços artesianos ou de bacias hidrográficas, dependendo da fábrica —, a empresa considera o cuidado com o insumo essencial. Tanto que, de 2002 a 2009, reduziu em 27% o volume de água consumido para cada litro de bebida produzido. A meta, para 2012, é enxugar mais 11%, chegando a 3,5 litros de água por litro de bebida.

O problema é que a capacidade da companhia de maximizar a eficiência no uso da água em suas operações está próximo do limite. Por isso ela se propõe, por intermédio do Movimento Cyan, a propagar a importância do uso consciente desse líquido precioso — e cada vez mais raro — fora de seus muros. Lançado em 2010, o projeto completou seu primeiro aniversário no Dia Mundial da Água, em 22 de março deste ano. Na ocasião, a Ambev inaugurou o Banco Cyan, em parceria com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

O objetivo dessa iniciativa é disseminar práticas de racionalização do consumo da água, recompensando aqueles que conseguirem diminuir a utilização do recurso. Ao abrir sua “conta”, o consumidor da Sabesp, seja ele pessoa física ou jurídica, permite a consulta de seu histórico de consumo. A média de utilização de água pelo cliente é assumida como meta e, se mantiver o mesmo nível ou diminuir, o “correntista” começa a acumular pontos que podem ser trocados por descontos nos portais Submarino, Americanas.com e Shoptime, e na cadeia de locadoras Blockbuster.

Apenas na primeira semana, houve 100 mil acessos no site do Banco Cyan, e 2,5 mil pessoas se cadastraram. Assim como as demais iniciativas sob o guarda-chuva do movimento, o banco trabalha com a perspectiva de resultados de longo prazo. Num primeiro momento, a ação será mais atrativa para clientes que moram em casas ou em apartamentos com medição individualizada. O uso de hidrômetros individuais, para cada unidade dos condomínios, ainda é restrito. Segundo informações da Sabesp, apenas 7.752 unidades, em 54 condomínios, usam o modelo na região metropolitana de São Paulo. Em todo o Estado, a companhia de abastecimento tem cerca de 26 milhões de clientes. Apesar disso, condomínios podem interessar-se pela ação — nesse caso, os benefícios vão para a administração, e não para os moradores individualmente.

Na primeira semana, houve 100 mil acessos no site do Banco Cyan, e 2,5 mil pessoas se cadastraram

Rolim enxerga uma tendência de crescimento do uso de hidrômetros individuais, principalmente nos novos prédios. E vê com otimismo a expansão do Banco Cyan, com a perspectiva da diversificação dos parceiros que oferecem descontos e da inauguração do programa em outros Estados, por meio de parcerias com mais concessionárias de abastecimento. O movimento inclui ainda dois projetos experimentais: um para recuperar bacias hidrográficas, e outro para medir a “pegada” hidrológica — indicador do impacto produzido sobre os recursos hídricos — na cadeia de fabricação de bebidas. O primeiro, em parceria com a World Wildlife Fund (WWF), começou a ser desenvolvido nas bacias dos rios Corumbá e no lago Paranoá, no Distrito Federal, onde a Ambev possui uma fábrica, na cidade-satélite de Gama. O projeto terá três anos de duração e visa a criar um modelo que possa ser reproduzido nas demais bacias hidrográficas usadas pela Ambev e por outras empresas.

Já o projeto de medição do impacto nos recursos hídricos é uma parceria com a Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo (USP). De acordo com Rolim, uma prévia do relatório dos pesquisadores já foi apresentada. A ideia é medir o volume total de água utilizada no processo de produção dos serviços e bens oferecidos pela cadeia produtiva da Ambev (agricultura, processamento de insumos, fabricação, distribuição e consumo final), levando a eficiência da companhia no uso da água para seus fornecedores e parceiros de negócios. Além de determinar o volume, o rastreamento possibilita saber onde e em que momento esse consumo foi feito, o que ajuda a calcular impactos ambientais e sociais. “Queremos identificar como engajar os fornecedores em projetos de melhoria e, para isso, a primeira coisa é medir”, avalia o diretor.


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