Clima agitado

Expectativa de venda da companhia e parcerias estratégicas alavancam os papéis da Tempo Assist



A alta chegou a 88,52% entre maio e outubro de 2010, ante modestos 2,81% do Ibovespa. Foi assim que os papéis da Tempo Assist (Tempo Participações) refletiram a ansiedade dos investidores sobre os próximos passos da companhia. Esperava-se que a empresa fosse vendida ou se unisse a outro nome forte do setor, o que foi confirmado em fato relevante divulgado pela administração da companhia em 15 de outubro. A Tempo informou que havia contratado os bancos UBS e BTG Pactual para a “avaliação e prospecção de oportunidades de combinação de negócios, investimentos e desinvestimentos para seus diversos segmentos de negócios”. No dia 26 do mesmo mês, a ação da companhia fechou o pregão no maior patamar desde 15 de agosto de 2008, cotada a R$ 5,76.

A expectativa do mercado é de que seja feita a venda integral ou da participação de um dos sócios para algum grande player do setor, que conta com nomes como Amil, Qualicorp, Bradesco Saúde, Mapfre e Sul América. Mas a administração também não descartou a compra de outra empresa ou uma aliança estratégica. A Tempo atua nas áreas de seguro de saúde e odontológico e na administração de planos de saúde e assistências especializadas para montadoras, empresas de cartões e seguradoras. A GP Investimentos é o seu principal acionista, com 20,8% de participação, seguido pelo fundo de investimentos Tarpon, com 5,6%. A maior parte dos papéis, 41%, está em circulação no mercado. O restante é dividido entre ex-acionistas de empresas incorporadas, atuais administradores e tesouraria.

O bom desempenho da ação nos meses anteriores não se deve apenas à perspectiva da operação, segundo o analista da Fator Corretora, Iago Whately. Em relatório publicado na segunda semana de setembro, dias depois do anúncio da companhia, ele avaliou que o compromisso da administração com o desempenho operacional (controle de custos e redução de despesas), a parceria com a Caixa Seguradora e o desenvolvimento de novos negócios também contribuíram para a alta dos papéis. Sua recomendação foi alterada de “não atraente” para “manutenção”, e o preço-alvo, de R$ 3,60 para R$ 4,60.

“A Tempo se beneficia diretamente do desempenho da economia e, especialmente no Brasil, a penetração da iniciativa privada no setor ainda é muito baixa”, afirmou o analista. A companhia também se dá bem pelo fato de existirem poucas empresas de saúde listadas na Bolsa. “É um setor que está sempre no radar dos investidores estrangeiros. É provável que, se o fluxo para Brasil e emergentes seguir o volume dos últimos meses, a tendência de alta das ações continue”, disse o analista.

No acumulado do ano até o terceiro trimestre, a companhia registrou crescimento de 30,1% da receita líquida, encerrando o período em R$ 700,1 milhões. O Ebitda chegou a R$ 41,5 milhões, alta de 13,1% na comparação com o período de janeiro a setembro do ano passado. O destaque negativo ficou por conta do lucro líquido, que recuou 38,4% para R$ 20,3 milhões no mesmo intervalo. O analista do Morgan Stanley, Javier Martinez de Olcoz Cerdan, acredita que a empresa continuará crescendo de forma consistente, mas não tanto como nos últimos três trimestres, em que registrou alta de dois dígitos nos principais indicadores. Para ele, a manutenção do ritmo de crescimento atual só irá ocorrer se a empresa optar por novas aquisições.

Além da contratação do UBS e do BTG Pactual, duas outras notícias movimentaram os papéis da Tempo. A primeira veio em abril, com a conclusão da compra da Unibanco Saúde Seguradora, empresa com carteira estimada em 70 mil clientes. A segunda e mais impactante ocorreu no fim de julho, quando a Tempo e a Caixa Seguradora anunciaram parceria para a criação da Caixa Seguradora Saúde. O objetivo é oferecer seguros de saúde e odontológicos, utilizando a rede de agências da Caixa Econômica Federal (CEF) para a venda dos produtos. A Tempo terá participação de 25% na nova empresa.

Na visão do analista da Fator, a distribuição da CEF é a principal vantagem competitiva da Caixa Seguros de Saúde em relação aos outros players do setor: a instituição atende aproximadamente 33 milhões de clientes pessoa física, 940 mil empresas e 13 mil entidades públicas em todo o País.

O acordo reforça um caminho que vem sendo trilhado pela área de seguros no Brasil. A parceria da Tempo com a CEF vai na mesma linha da aliança entre o Banco do Brasil e a Mapfre, anunciada em maio deste ano. Pelo acordo, as duas empresas resultantes da associação terão como principal canal de vendas as agências do BB. O mesmo ocorreu, no ano anterior, na associação entre Itaú Unibanco e Porto Seguro.


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