Vida dura (Viver)

Após nota de crédito despencar, construtora busca reduzir o endividamento

Alta & Baixa/Captação de recursos/Edição 122 / 1 de outubro de 2013
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Com duas moedas de 10 centavos é possível comprar uma ação da Viver. O papel da construtora, que em 2007 chegou a valer R$ 22, desvalorizou 65,4% no ano passado e, em 2013, acumulava queda de 70,3% até 6 de setembro.

No início de agosto, a Fitch Ratings rebaixou a nota da empresa de BB- para CCC (alto risco de inadimplência). Segundo a agência, “a acentuada redução de receita da Viver […] tem impactado negativamente a operação e pressionado o fluxo de caixa e a liquidez”. No dia 26 do mesmo mês, a cotação na bolsa atingiu o piso histórico: R$ 0,17.

Em 2008, a Viver (então Inpar) foi comprada por um fundo imobiliário administrado pela Paladin Realty Partners, gestora americana de private equity focada em países emergentes, que há mais de dez anos faz investimentos imobiliários na América Latina. A experiência da Paladin, no entanto, não tem se refletido em bons resultados para a companhia. A Viver fechou o segundo trimestre do ano com prejuízo de R$ 46,1 milhões e receita líquida 28,9% abaixo da registrada no mesmo período de 2012. Também não lançou nenhum empreendimento entre abril e junho, embora estime que 80% do portfólio de obras será entregue nos próximos 18 meses. O segundo trimestre de 2013, contudo, trouxe algumas notícias boas. Os contratos cancelados encerraram em R$ 33,6 milhões, 41% a menos do que o registrado no período anterior. As despesas gerais e administrativas tiveram queda de 31%.

Diante das adversidades, a companhia não teve alternativa a não ser lançar um plano amplo de reestruturação, no fim do ano passado. Assim como outras construtoras fizeram durante o boom imobiliário, a Viver se alavancou excessivamente. Entre dezembro de 2012 e junho deste ano, sua dívida líquida caiu de R$ 1,06 bilhão para R$ 997 milhões; mas, em relação ao patrimônio líquido, saltou de 179,3% para 198,1%.

Com o pé no freio, cortando custos, renegociando prazos e juros — conseguiu rolar por 18 meses um certificado de recebíveis imobiliários (CRI) de R$ 87,9 milhões —, a companhia busca fortalecer sua estrutura de capital por meio da venda de ativos. Um deles é a Lagoa dos Ingleses, complexo de terrenos que somam 29 milhões de m2, em Nova Lima (MG). A Viver afirma que o negócio, em fase final de estruturação, derrubará a dívida corporativa em 55%. Paralelamente, a construtora vai reforçar o caixa por meio da emissão de um CRI de R$ 60 milhões e da oferta de debêntures conversíveis em ações de até R$ 125 milhões. O caixa levantado com as operações poderá ser o respiro para uma vida melhor.

Paralelamente, a construtora vai reforçar o caixa por meio da emissão de um CRI de R$ 60 milhões e da oferta de debêntures conversíveis em ações de até R$ 125 milhões. O caixa levantado com as operações poderá ser o respiro para uma vida melhor.

  • A escolha das companhias para esta seção é feita a partir de um levantamento da Economatica com a oscilação e o volume negociado mensalmente por ações que possuem giro mínimo de R$ 1 milhão por dia. A partir daí, são escolhidas aquelas que se destacam pelas variações positivas e negativas.

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Tags:  private equity CAPITAL ABERTO mercado de capitais CRI Inpar Viver Fitch Ratings Paladin Realty Partners construtora Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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