Uma década em marcha lenta

Bolsas da América Latina ainda estão longe de ser instrumentos relevantes para o desenvolvimento econômico

Captação de recursos/Governança Corporativa/Governança/Edição 121 / 1 de setembro de 2013
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O que mudou no mercado de ações latino-americano na última década? O que precisa ser feito para que ele atraia empresas com alto potencial de crescimento e, assim, consiga promover desenvolvimento econômico? Essas foram as questões centrais da última Mesa-Redonda Latino-Americana de Governança Corporativa, tradicional encontro promovido pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Entre as boas notícias, dois aspectos se destacam: o valor de mercado conjunto das empresas listadas da região saltou de 28% do produto interno bruto (PIB) no início da década passada para uma média de 50%; e o volume anual das ações negociadas passou de 11% para 22% do PIB.

A decepção foi constatar que as bolsas mantêm as suas deficiências centrais: reduzido número de empresas listadas; elevada concentração de mercado; predominância de sociedades com controlador; pouco free-float; e baixa frequência de ofertas públicas iniciais (IPOs), que são amplamente dominadas por companhias de grande porte.

O número aproximado de empresas listadas em bolsa caiu de 2 mil, no início da década passada, para 1,5 mil hoje. No mesmo período, a proporção de companhias abertas por milhão de habitantes, indicador bastante utilizado, baixou de 4,1 para 2,5. Para comparação, os países da OCDE, mesmo em crise, têm em média 22 empresas listadas por milhão de habitantes.

O domínio do mercado de ações por grandes companhias é elevadíssimo. As dez maiores representam em média cerca de 64% da capitalização de mercado das bolsas da América Latina, bem acima dos 55% observados no início da década passada. A concentração acionária das empresas também permanece alta. Em média, os cinco maiores acionistas detêm 76% do total de ações de cada sociedade, um percentual ainda maior do que os 73% observados há dez anos.

O resultado direto disso é a pequena parcela do total de ações em circulação. Chamado de free-float, esse importante indicador ficou praticamente estagnado em cerca de 23% no período. No caso brasileiro, manteve-se o percentual na casa dos 30%. Merece destaque o surgimento de algumas empresas com estrutura mais dispersa no Brasil desde 2003. Inexistentes até então, as sociedades nas quais os cinco maiores acionistas possuem menos do que 50% das ações com direito a voto passaram a representar cerca de 7% das companhias brasileiras listadas.

A capacidade das bolsas latino-americanas para atrair empresas inovadoras interessadas em captar recursos, outro aspecto-chave, também não evoluiu. Depois da onda de IPOs entre 2004 e 2007, nos últimos quatro anos a média regrediu a ínfimas duas ofertas iniciais por mês. Além disso, os mercados acionários da região tendem a privilegiar companhias de grande porte, que muitas vezes pertencem a poderosos conglomerados econômicos. Na última década, as pequenas empresas responderam por apenas 17% dos IPOs da América Latina. Como resultado, os mercados primários de ações têm funcionado de forma oposta ao que se espera deles, aumentando a vantagem competitiva das companhias maiores em relação às menores.

Os números mostram que as bolsas latino-americanas apresentaram poucas mudanças estruturais nos últimos dez anos. Muito ainda precisa ser feito para torná-las ferramentas efetivas de aumento da inovação, da competitividade empresarial e do desenvolvimento econômico.


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