Fersen Lambranho

Um país empreendedor

Captação de recursos/Gestão de Recursos/Reportagem/Edição 121 / 1 de setembro de 2013
Por  e


Fersen Lambranho conhece bem o empresariado nacional. Copresidente da GP Investments, uma das maiores gestoras de private equity do País, ele já fez parte de ao menos 20 conselhos de administração e é um admirador declarado do empreendedorismo brasileiro. Otimista, Lambranho acredita na melhora do ambiente político nos próximos anos por uma razão simples: a boa gestão pública será, em sua visão, a única bandeira possível para quem quiser ganhar as eleições.

Private equity
“O mercado de private equity no Brasil ainda é infantil e tem tudo para expandir. O País é formado basicamente por imigrantes — isso significa uma ética de trabalho muito forte no sentido de construir companhias. Enquanto em outros países os empresários são fechados para o private equity, no Brasil eles são abertos, querem crescer, fazer IPO.”

Empreendedorismo
“Aqui é possível fazer empresa grande sem depender do governo. Não é preciso ter sobrenome nem pedir a bênção de nenhum governante.Há muitas dificuldades, como os aspectos trabalhista e fiscal, que são graves. Mas elas estão se reduzindo.”

Captações
“Captar sempre foi um desafio para o Brasil, e continua sendo. Deveria ser um assunto tratado mais estrategicamente, numa esfera maior, pensando no país, mas não é. Hoje é um esforço individual de cada gestor.”

Brasil fora do radar
“O País esteve no radar nos anos 1990, com as privatizações, depois saiu totalmente de moda, voltou em 2006 e 2007, com as ondas de IPO, e agora saiu de moda de novo. Quanto tempo leva para cumprir esse ciclo? Não acho que sejam nem um nem dois anos. Leva tempo até que as apostas feitas em outros mercados maturem e os investidores decidam voltar.”

Investimento estrangeiro
“Precisamos nos convencer de que não temos capital nacional para fazer tudo o que é preciso: estradas, portos, melhoria das condições de vida. Necessitamos de dinheiro externo que acredite na gente, e é necessário remune-
rá-lo corretamente para ele ficar aqui. O Brasil chamou a atenção dos estrangeiros, as pessoas experimentaram, mas não aconteceu um reforço positivo de nossa parte.”

Agenda política
“Ainda não vi a atração do capital estrangeiro entrar na agenda de nenhum governo brasileiro. Ninguém colocou como prioridade tornar o financiamento externo o mais barato possível. Isso deve ser um programa não de governo, mas de Estado. As obras de um país sobrevivem muito além de nós e de
qualquer governante.”

Manifestações populares

“Pela primeira vez eu vejo os brasileiros pedindo as coisas óbvias e certas. É algo que me deixa muito otimista, porque qualquer político que queira sobreviver na sua função terá que atender a essas demandas. É muito bom ver pessoas comuns pedindo de forma apartidária coisas que devem ser prioridade para o Estado brasileiro. As pessoas estão dizendo: ‘Eu não quero estádio bonito; quero um hospital que eu possa usar’. Esse povo é maravilhoso. No curto prazo, o impacto é ruim para as captações externas, mas no longo prazo é excelente.”

Esquerda versus direita

“Não existe mais direita ou esquerda. Se formos olhar nossos políticos mais importantes, eles são todos à esquerda. Ao mesmo tempo, não tem ninguém mais capitalista no mundo hoje do que um chinês. Uma menina feirante na China tem atitude muito mais empreendedora que a de um empresário europeu. Ela trabalha alucinadamente, gosta de negociar, gosta de vender.”

Eleições
“A única bandeira que eu consigo enxergar num político hoje é a da administração pública. E acho que estamos chegando perto do dia de eleger o presidente que vai iniciar esse processo. Não creio que o nome seja relevante, mas sim a geração a que ele pertence. Tenho uma fé imensa nessa geração de políticos que está na casa dos 50 anos e, para sobreviver, será obrigada a dançar a dança que o País precisa, que é a da gestão.”


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