Sina chinesa (BicBanco)

Venda para gigante asiático faz papel subir, mas ainda restam incertezas no ar

Alta & Baixa/Captação de recursos/Edição 125 / 1 de janeiro de 2014
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O BicBanco, 21o banco brasileiro em ativos, fez literalmente um negócio da China. De 20 de setembro, quando circularam os primeiros rumores de venda da instituição, até 6 de dezembro, a ação subiu 67%. A razão atende pelo nome China Construction Bank, ou apenas CCB.

Com 14 mil agências e US$ 2,4 trilhões em ativos, o segundo maior banco chinês tentava ingressar no mercado brasileiro havia pelo menos dois anos. Em 2011, fez oferta pelo controle do WestLB no Brasil, mas a operação não vingou. Este ano, conseguiu o que queria. No fim de outubro, acertou a compra, por R$ 1,6 bilhão, de 72% das ações do BicBanco — todo o capital do controlador, o grupo Bezerra de Menezes. Em relação ao valor do papel no dia do negócio, o prêmio foi de 18,7%. E na comparação com os preços históricos, a oferta chinesa se torna ainda mais generosa: supera em 50% o valor médio da ação nos últimos dois anos, observa Carlos Daltoso, analista do BB Investimentos.

O preço final da compra, contudo, ainda pode sofrer alteração. Segundo os analistas Renato Schuetz e Flavio Yoshida, da Votorantim Corretora, ele está sujeito a variações no patrimônio líquido do banco até o fechamento do acordo. Também entrarão na conta o lucro em operações de swap entre o BicBanco e o Goldman Sachs, que será dividido igualmente entre o grupo Bezerra de Menezes e o CCB. Além disso, o negócio precisa passar por um calvário de autorizações, que vai do Banco Central à presidente Dilma Rousseff — a entrada de um banco estrangeiro no Brasil exige a aprovação expressa do chefe de Estado. “O processo deve levar mais seis a oito meses”, prevê Daltoso.

Depois de tudo, com a venda acertada, o CCB terá 30 dias para fazer uma oferta pública aos acionistas por 100% do preço pago pelas ações do controlador. Se forem mantidos os preços conhecidos até o momento, o montante deve superar os R$ 2,2 bilhões.

Voltado para empresas médias, o BicBanco tem um problema nas operações de crédito, que respondem por cerca de 80% dos seus ativos. Conforme Regina Sanchez, Thiago Batista e Alexandre Spada, do Itaú BBA, no terceiro trimestre a carteira de crédito emagreceu 5,8%, o índice de inadimplência (atraso de 60 dias) aumentou para 3%, e as provisões para cobrir perdas com empréstimo cresceram 17,2% — os analistas do Itaú BBA previam 7,6%.

Embora o CCB tenha dito que o foco do negócio será mantido, ainda há fortes dúvidas a esse respeito. Muitos analistas acreditam que o futuro BicBanco, sob comando chinês, se especializará no financiamento das empresas chinesas que atuam no Brasil, especialmente as duas petroleiras que se juntaram à Petrobras no consórcio vencedor do leilão do campo de Libra.


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