Remédio amargo (Brasil Pharma)

Ambiente desfavorável obriga rede de farmácias a postergar investimentos

Captação de recursos/Alta & Baixa/Edição 123 / 1 de novembro de 2013
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Misture concorrência acirrada, vendas em desaceleração e aumento de custos. Agregue atraso na abertura de novas lojas. Essa receita só poderia dar em queda no valor das ações — exatamente o que ocorreu com a Brasil Pharma, braço de varejo farmacêutico do banco BTG Pactual. No ano até o dia 8 de outubro, caíram 43%.

Os resultados não ajudaram. No primeiro semestre, a empresa amargou um prejuízo líquido de R$ 5,4 milhões, contra lucro de R$ 7,6 milhões em 2012. Já os custos de bens e serviços subiram 7,7% no segundo trimestre, enquanto as despesas operacionais ficaram 22% maiores. Na avaliação de Vitor Paschoal, analista do Itaú BBA, os números foram piores do que o esperado. “O Ebitda (não ajustado às despesas de opção de ação) veio 7% abaixo da nossa projeção, resultando em uma contração da margem Ebitda de 60 pontos-base em termos anuais.”

Criada a partir de redes locais há dois anos, a Brasil Pharma possui as marcas Farmais, Guararapes, Rosário, Mais Econômica, Sant’Ana e Big Bem. Opera num segmento que ainda oferece espaço para consolidação e, até 2012, crescia em ritmo acelerado. Hoje, o cenário é outro. Segundo Maurício Fernandes, Thomas Humpert e Diego Moreno, analistas do Bank of America Merrill Lynch, “o declínio nas taxas de consumo e a menor renda disponível” afetaram o segmento, cuja expansão anual saiu de 18,4%, no primeiro semestre de 2012, para 12% um ano depois.

Fonte: Economatica. Foram consideradas as posições iniciais superiores a R$ 1 milhão. Valores em R$ milhares. Obs.: Os dados de 30/6/2013 eram os últimos disponíveis até o fechamento desta edição.

As vendas da BR Pharma também subiram menos: 5,3% no segundo trimestre de 2013, ante 9,1% em igual período do ano passado. Ao mesmo tempo, as despesas por venda aumentaram 23%. Em consequência disso, a administração decidiu adiar os investimentos do primeiro semestre: o número de lojas cresceu de 708 para 727 (a meta projetada era de 808). Para não mexer no caixa, o jeito foi inaugurar franquias: 27 foram abertas, somando 433. Na apresentação dos resultados do segundo trimestre, a companhia disse estar convencida de que os pontos de venda novos vão custar mais barato a partir deste trimestre.

O problema é que a competição aumentou. O grupo Ultra ingressou no segmento, a partir da compra da Extrafarma, rede que tem hoje a maior sobreposição geográfica de lojas com a Brasil Pharma. Apesar disso, o Itaú BBA indica a manutenção do papel. Mais otimista, a Coinvalores recomenda compra e acredita que, no nível de preços atual, o investidor poderá embolsar uma valorização de até 63% em 12 meses. A corretora espera que a Brasil Pharma retome a abertura de lojas e seja beneficiada pela aguardada expansão das vendas no fim de ano.

A escolha das companhias para esta seção é feita a partir de um levantamento da Economática com a oscilação e o volume negociado mensalmente por ações que possuem giro mínimo de R$ 1 milhão por dia. A partir daí, são escolhidas aquelas que se destacam pelas variações positivas e negativas.




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Tags:  CAPITAL ABERTO mercado de capitais Banco BTG Pactual S.A. BTG Pactual Itaú BBA Coinvalores Bank of America Merrill Lynch Brasil Pharma varejo farmacêutico Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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