Pronto para concorrer

Alan Gandelman

Captação de recursos/Relevo/Edição 123 / 1 de novembro de 2013
Por 


Alan Gandelman tem 26 anos de experiência no mercado de capitais. Criou e presidiu por cinco anos a Icap Brasil, foi sócio-diretor da Ágora Corretora e já trabalhou em Nova York nos bancos Bear Sterns e Goldman Sachs. O que faltava para a sua carreira? “CEO de bolsa eu ainda não tinha sido”, diverte-se, recordando o convite para presidir a Americas Trading System Brasil (ATS Brasil), joint-venture entre a Americas Trading Group (ATG) e a Nyse Euronext, criada para competir com a BM&FBovespa no País. À frente do que pode ser um dos seus maiores desafios, ele aguarda o aval da CVM para as operações da ATS, previsto para março de 2014. Com isso, espera inaugurar a nova bolsa até o fim do ano que vem.

A proposta
“Quando a BM&FBovespa publicou o estudo da Oxera e a CVM passou a falar publicamente em concorrência entre bolsas, a Nyse se interessou pelo Brasil e procurou a ATG, que já era sua parceira na criação do primeiro hub de liquidez na América Latina. O Arthur Machado, diretor de operações da ATG, que havia trabalhado comigo na Ágora, foi quem me chamou para conversar. Quando eu recebi o convite para presidir a ATS, imediatamente aceitei, porque acho que estamos construindo história. Todos os movimentos que a BM&FBovespa vem fazendo, inclusive, para atrair empresas menores já acontecem porque ela vê a ATS no retrovisor.”

Modelo de negócio
“Nossa ideia era abrir um mercado de balcão, mas, de acordo com a Instrução 461 [da CVM], um ativo não pode ser negociado simultaneamente em balcão e em pregão, por isso resolvemos lançar uma bolsa. Além disso, estamos ingressando no Brasil com uma estrutura parruda e um sócio grande nos apoiando. Inicialmente, a ATS vai negociar apenas ações à vista e ETF. Não vamos trabalhar com nenhum ativo que exija margem e nem aceitar IPOs, por enquanto.”

Concorrência
“Os atletas não fazem os seus melhores tempos nos treinos, mas nas competições, quando eles precisam olhar para um lado e para o outro. A partir do momento em que a concorrência existir, a BM&FBovespa vai se tornar uma companhia muito melhor, porque essa será a condição para ela sobreviver. Hoje, a Bolsa tem uma situação muito cômoda. Em ano ruim, sua margem Ebitda é de quase 80%, enquanto nos mais eficientes pregões do mundo esse percentual gira em torno de 50%.”

Clearing
“Num primeiro momento, pretendíamos usar a clearing da Bolsa. A questão é que o Edemir Pinto [presidente da BM&FBovespa] diz que só vai abri-la para terceiros quando terminar o projeto de integração das clearings. A previsão era isso ocorrer em 2014 mas, agora, já se fala em 2016. Como não podemos depender disso, a ATG se associou à consultoria de avaliação e gerenciamento de riscos Risk Office para abrir uma câmara de compensação. Mais dois sócios ainda vão participar do negócio: um grande banco e uma operadora mundial de clearing. Entre garantias e investimentos, devem ser aportados cerca de US$ 100 milhões. A previsão é apresentar o projeto para o Banco Central em novembro.”

Autorregulação
“A Instrução 461 diz que cada entidade de bolsa deve ter sua autorregulação. Mas eu acho essa exigência complicada, porque abre espaço para arbitragem. Então, em resposta à consulta pública sobre concorrência entre bolsas da CVM, sugerimos que se mantenha uma única autorregulação e que a BM&FBovespa Supervisão de Mercados seja apartada da Bolsa. Ela seria instalada em outro lugar e teria um conselho composto de integrantes da Bolsa, da ATS e de entidades do mercado. Quanto aos custos, eles seriam bancados pelas bolsas na proporção dos volumes negociados.”




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Tags:  bmfbovespa Autorregulação ATS ATG Instrução 461 clearing concorrência Alan Gandelman Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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