Por 20 contos de réis

Há 94 anos, o assassinato de um operador de café em frente à Bolsa de Mercadorias, no Centro Velho, comoveu
São Paulo

Captação de recursos / Histórias / Edição 136 / 1 de dezembro de 2014
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por-20-contosSegunda-feira, 6 de dezembro de 1920. A então pacífica cidade de São Paulo foi abalada por um assassinato no Centro Velho, em plena Rua de São Bento. O caso, que ficou conhecido como “o crime da Bolsa de Mercadorias”, envolveu operadores de café. Inaugurada em 1918, havia apenas dois anos, a Bolsinha funcionava no número 59, local do suntuoso Palacete Germaine. Em frente ficava a sede da inglesa Brazilian Warrant, a maior casa comissária e exportadora de café do País, em cujo saguão, ao final do dia, se reuniam os personagens do mercado.

Alexandre Zuccolo e Basílio Miani, membros da colônia italiana, eram cunhados. Participantes do mercado cafeeiro, ambos frequentavam a Bolsa de Mercadorias e seus arredores. Haviam se desentendido numa operação em que Zuccolo afirmava ter perdido 20 contos de réis. Ele era conhecido como homem violento e, aparentemente, vinha ameaçando Miani. A coisa chegou a tal ponto que, horas antes do desenlace, Miani confessara a amigos ter procurado a polícia em busca de proteção contra as investidas do cunhado.

Naquela tarde, ao fim do expediente, contavam-se aproximadamente 17 horas quando um grupo conversava à porta da Brazilian Warrant. Entre as pessoas reunidas estavam Miani, que carregava uma amostra de café, e seu irmão Vicente. Uma das testemunhas avistou Zuccolo entrar no saguão da Brazilian Warrant com uma mão no bolso e se dirigir ao quadro de cotações que havia no recinto. Súbita e traiçoeiramente, voltou-se para o grupo de Miani e, sem pronunciar palavra, desfechou três tiros que o atingiram no peito. A vítima, cambaleando, caiu ao chão na Rua de São Bento em frente à Bolsa de Mercadorias. Zuccolo, com a arma ainda fumegante, saiu correndo rumo à Travessa do Comércio, onde terminou sendo detido.

Dois anos e meio depois, em 20 de junho de 1923, o acusado foi levado a júri popular. O julgamento também foi assunto momentâneo em São Paulo. Abatido e chorando copiosamente durante a sessão do tribunal, Alexandre Zuccolo teve como seu patrono o famoso advogado criminalista José Adriano Marrey Júnior. A defesa alegou privação de sentidos, o que, pela descrição dos fatos do crime, parece pouco plausível, mas logrou a absolvição do réu por seis votos a um.

Ilustração: Montagem com fotos extraídas da Wikipédia.


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