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Vencer é sempre bom. Mas ganhar quando tudo joga contra é um deleite. As doze vencedoras do prêmio As Melhores Companhias para os Acionistas em 2014, promovido pela Capital Aberto em parceria com a Stern Value Management, têm o mérito de levar a taça no meio de um cenário econômico adverso. A inflação em alta vem acompanhada da projeção de um PIB estagnado: crescimento de apenas 0,2% este ano. A despeito desses indicadores, as empresas aqui presentes conseguiram driblar as dificuldades e se destacar em cinco critérios importantíssimos para os acionistas: liquidez, criação de valor, retorno em bolsa, governança e sustentabilidade.

Interessante notar que, das 12 vencedoras, 11 pertencem ao setor de serviços, responsável por cerca de 70% do PIB. Apenas uma indústria, a catarinense WEG, conseguiu figurar entre as campeãs. A fabricante de bens de capital conseguiu retorno superior ao capital aplicado e atraiu investidores com um modelo de negócio que combina inovação e internacionalização.

Outra surpresa desta premiação foi a presença de três representantes do setor elétrico: AES Eletropaulo, Light e Cesp, todas presentes no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Muitas empresas de energia tiveram seus resultados prejudicados pela Medida Provisória (MP) 579, convertida posteriormente na Lei 12.783. O diploma impactou a receita das companhias do setor, quando subordinou a continuidade de outorgas com vencimento previsto para 2013 a 2017 ao abandono do regime de preços livres. “O caso da Cesp mostra que a empresa soube aproveitar a oportunidade. Ao decidir não renovar sua concessão, pôde direcionar energia para o mercado livre, cujos preços estavam pressionados pela estiagem”, frisa Pedro Tavares, diretor da Stern Value Management.

O prêmio também deu lugar a companhias que conseguiram dar a volta por cima, a exemplo da Gafisa. Seu mérito foi ter promovido uma virada operacional capaz de colocar a empresa nos trilhos. Ao vender 70% de sua participação no Alphaville, braço de loteamento de alta renda, a Gafisa conseguiu reduzir a alavancagem e gerar caixa para futuros projetos. “O cálculo do EVA [economic value added] elimina esses efeitos não recorrentes, mas a venda do Alphaville foi benéfica, pois a ação passou a subir e a percepção do mercado sobre a companhia mudou”, observa Tavares.

Frequentadoras da premiação, como Cielo, Estácio e SulAmérica, estiveram novamente entre as vencedoras. Em comum, elas têm o fato de atuar em setores que crescem bem acima do PIB e são resistentes à fraca economia.

No próximo ano, figurar entre as campeãs também não será fácil. O quadro é de dificuldades crescentes, com as empresas tendo de comprimir margens, diante de alta de custos e da queda do consumo, o que pode prejudicar os números de criação de valor (EVA) e de retorno total do acionista (TSR-Ke) de muitas companhias. Em 2014, a mediana deste último item para todas as categorias de valor de mercado foi negativa.

Em governança, a empresa que mais se destacou foi a BRF, seguida de Natura e EDP. As empresas foram avaliadas por meio de um questionário de 32 perguntas relacionadas a transparência, conselho de administração, ambiente de controles e direitos dos acionistas. O questionário foi aplicado pelo pesquisador Pedro Barros, com a supervisão do professor da FEA-USP Alexandre Di Miceli. Nas próximas páginas, conheça mais sobre as vencedoras.

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