“O IPO nos fez bem”

Alberto Menache

Captação de recursos/Relevo/Edição 126 / 1 de fevereiro de 2014
Por 


Foto: divulgação

Diferentemente de grande parte das companhias, a Linx não tem o que reclamar de 2013. Foi no ano passado que a desenvolvedora de softwares corporativos para o varejo fez seu IPO na BM&FBovespa. Desde a estreia em bolsa, em 8 de fevereiro, até o fim do ano, a ação subiu expressivos 51%. À frente do negócio está o presidente e sócio da Linx, Alberto Menache, que ingressou na companhia em 1991, como estagiário. Confira sua entrevista à Relevo.

Desempenho em bolsa
“Num mercado em que há muita volatilidade, não só no preço das ações, mas no resultado das companhias, previsibilidade é algo muito valorizado pelo investidor. A Linx tem um modelo de negócio que privilegia isso. Cerca de 80% da nossa receita é recorrente, oriunda principalmente de contratos de manutenção de software pagos mensalmente pelos clientes. Nosso índice de renovação de contratos é próximo de 99% por trimestre.”

Aquisições
“Quando fizemos o IPO, a previsão era usar o dinheiro em três anos para aquisições. Ainda em 2013 conseguimos comprar cinco empresas com um terço dos recursos. O cenário econômico atual, de juros mais altos, tem suas desvantagens, mas tende a facilitar nossa estratégia de aquisições, porque a perspectiva do empresário muda — ele passa a cogitar deixar de ser empreendedor para investir no mercado financeiro.”

Varejo
“Não é porque o varejo está crescendo menos que o uso de tecnologia no setor também está. Pelo contrário. Quando o varejo se torna mais competitivo, as empresas precisam se diferenciar. Assim, buscam investir em tecnologia, com o intuito de se relacionar de novas formas com o cliente e de ampliar os canais de consumo. Para se ter uma ideia, o investimento das varejistas brasileiras em tecnologia, em relação ao seu faturamento, é aproximadamente um quarto do das americanas.”

Espaço para crescer
“A sofisticação do setor varejista deve nos ajudar nesse sentido. Nos Estados Unidos, quando você entra num shopping, seja de cidade grande, seja de cidade pequena, encontra as mesmas marcas. Aqui, a realidade é outra, com exceção de pouquíssimas redes. Isso nos leva a crer que o varejo ainda vai passar por um processo grande de consolidação, o que é bom para a Linx. Afinal, a loja em que a única preocupação do dono é ficar olhando a prateleira para ver se está faltando mercadoria não investe em tecnologia.”

Profissionalização
“Em 2011, em preparação para a abertura de capital, contratamos vários executivos de mercado. Até aí, a maioria dos funcionários eram profissionais que cresceram junto com a Linx. Nesse processo, o desafio foi encontrar pessoas com visão de longo prazo. Um executivo que está só preocupado com o bônus deste trimestre não serve para trabalhar aqui, e a maior parte do mercado só pensa no curto prazo. Queríamos pessoas que valorizassem a possibilidade de estar na Linx daqui a dez anos.”

Exposição
“A abertura de capital nos gerou bons negócios. A Linx era uma empresa pouco conhecida, e prestígio é muito importante quando você vende algo intangível. No ano passado, disputamos algumas concorrências que, certamente, teriam sido mais difíceis de ganhar sem a exposição que o IPO nos deu ao longo de 2013.”

Listagem
“Quando estávamos nos preparando para o IPO, estudamos as possibilidades de dupla listagem e de listagem só no exterior. No fim, optamos pelo mais simples. Quando você faz o óbvio, não precisa explicar nada. E nós não queríamos gastar o tempo que tínhamos para falar do negócio tentando explicar aos investidores coisas diferentes. Por isso, a melhor escolha foi a listagem no
Novo Mercado.”

Governança
“O minoritário vê muito valor em tudo o que você entrega de governança. Alguns controladores, para não perder o poder, optam por emitir ações preferenciais. Entretanto, eu não tenho dúvida de que, no longo prazo, o melhor para uma companhia — qualquer que seja — é dissociar a sua imagem da dos fundadores. Se não conseguir fazer isso adequadamente, em algum momento terá dificuldades.”


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