O céu é o limite

Com ajuda do BNDES e da General Atlantic, Linx assume liderança na área de software para o varejo

Captação de recursos/Reportagem/Private Equity - Coletânea de casos 2013 / 1 de agosto de 2013
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Eduardo Samara, da General Atlantic Overseas: gestora foi atraída pela combinação de crescimento agressivo e geração de caixa segura da Linx

O ano era 2009 quando a Linx decidiu enviar um executivo à sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para uma missão que mudaria a história da empresa. Embora a fornecedora de software, fundada em 1985, já fizesse parte da carteira de dívida da instituição financeira, o destino, dessa vez, era a BNDESPar, o braço de participações do BNDES. O objetivo da visita: ganhar um sócio.

A Linx havia iniciado na ocasião uma série de aquisições que, ainda hoje, parece longe do fim. Foram 11, de lá para cá, e o número tende a crescer. A companhia estreou na BM&FBovespa em fevereiro de 2013 prometendo investir 80% dos R$ 343 milhões levantados na oferta primária em novas compras. O processo, que começou com a aquisição da Quadrant, em 2008, ganhou a ajuda da BNDESPar no ano seguinte. Por R$ 50 milhões, a área de participações do banco de fomento adquiriu 21,7% do capital da Linx. “Naquele ambiente de crise, a empresa procurava um sócio que não abandonasse o barco caso o cenário externo piorasse”, lembra Alberto Menache, diretor-presidente da Linx. “Felizmente, encontramos.”

O executivo despachado quatro anos atrás para a avenida Chile, no Rio de Janeiro, foi bem recebido. “O banco mostrou interesse em participar do capital da Linx, desde que a empresa se comprometesse a ser o veículo de consolidação do setor”, diz Menache. A relação com a BNDESPar colocou a Linx em um patamar mais alto, inclusive de credibilidade. A BNDESPar ganhou destaque no mercado de capitais brasileiro pelos investimentos recentes em dezenas de empresas de tecnologia. Três delas chegaram à bolsa de valores. Além da Linx, Totvs e Bematech — que lançaram ações em 2006 e 2007, respectivamente — receberam aportes de capital da instituição. A expectativa é que outras companhias trilhem o mesmo caminho. “A BNDESPar se transformou num selo respeitado pelos grandes investidores mundiais da área de tecnologia”, afirma Menache, em referência à participação estrangeira de 62% na oferta pública inicial (IPO) da Linx.

Seguindo à risca a condição imposta pela BNDESPar, a Linx acelerou o processo de consolidação do segmento de software para varejistas. Em 2009, os produtos, serviços e clientes da CSI, Inter Commerce e Formata entraram para seu portfólio. Naquele exercício, a receita líquida foi de R$ 72,9 milhões. No ano seguinte, subiu para R$ 129,4 milhões. Foi um período agitado, com eleições, Copa do Mundo, e mais duas importantes aquisições para a Linx. A compra da Dia System e da CNP Engenharia de Sistemas, em 2010, transformou boa parte das concessionárias de veículos do País em clientes.

A essa altura, Eduardo Samara, vice-presidente da gestora internacional General Atlantic (GA) Overseas, acompanhava a Linx havia dois anos. Com histórico de investimentos em empresas de tecnologia, o executivo participou de vários casos de sucesso do capital de risco. A GA, que investiu em companhias como Mercado Livre e Peixe Urbano, interessou-se pelo crescimento agressivo combinado à geração de caixa segura da Linx. Dentre os clientes da fornecedora de software estavam nomes de peso como Hering, Burger King, Lojas Americanas, Telhanorte e Walmart, além de outras grandes varejistas com as quais mantém contrato de longo prazo. Em uma negociação que contou com a assessoria do BTG, a GA comprou 20,4% do capital social da Linx, em 2011, por R$ 130 milhões.

O montante superou em 2,5 vezes o valor pago pela BNDESPar na compra da fatia de 21,7% da Linx, dois anos antes. Para não ter a participação diluída, o banco de fomento investiu mais R$ 35 milhões. Só foi se desfazer de suas ações no IPO, no qual foi o maior vendedor. Hoje detém 10,4% da companhia. A GA manteve sua participação: 14,8%.

A fornecedora de software rapidamente se transformou numa gigante do setor. Fechou 2011 com receita líquida de R$ 197,4 milhões. O valor, 170% maior que o de 2009, contava com os resultados de mais duas empresas adquiridas no período. A gaúcha CustomBS já era líder regional no segmento de soluções integradas para o varejo quando passou a ser controlada pela Linx, enquanto a mineira Spress, especializada em sistemas de gestão, fortaleceu a posição da empresa entre as concessionárias de automóveis.

Menache aponta benefícios com a chegada dos sócios que vão além da injeção de recursos. “A experiência da GA ajudou a tirar do papel o conselho de administração”, justifica. A Linx montou um quadro com nove membros. BNDESPar e GA têm dois representantes cada, e os cinco assentos restantes são indicados pela Linx. “Eles estão sempre dispostos a ajudar, e o conhecimento que trazem conta muito.” Outro ganho de governança que Menache coloca na conta dos sócios foi o desenho do programa de stock options da Linx. Em 2012, durante a preparação para a abertura de capital, eles auxiliaram na montagem do plano de remuneração variável.

Entre fevereiro de 2013, quando fez o IPO, e abril, a Linx desembolsou R$ 36,6 milhões para incorporar outras duas empresas: a Direção, criada há 43 anos, e a Seller, com 15 anos de atuação no mercado. Ambas têm como foco as operações em nuvem. A nova fronteira combina com o espírito da Linx, que, bem assessorada, parece ter o céu como limite.




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