Nas nuvens (Gol)

Aumento da clientela corporativa e cortes de custos favorecem papéis da aérea



As ações da Gol voam em céu aberto. No ano até o dia 5 de maio, acumulam valorização de 39,6%. No mesmo período, o Ibovespa subiu 3,8%. Seria o efeito da Copa do mundo e dos milhares de turistas que vão desembarcar no País? Não exatamente. Na opinião dos analistas Fernando Abdalla e Carlos Louro, do J.P. Morgan, o evento esportivo terá um impacto neutro ou até levemente negativo sobre os resultados da companhia aérea.

A razão é simples: durante os jogos, é esperada uma redução de passageiros corporativos e um aumento de viajantes de turismo. A questão é que o ticket médio do primeiro grupo é normalmente maior que o do segundo. O risco é o crescimento de passageiros de turismo não compensar a perda de receita acarretada pela queda na quantidade de passageiros de negócios, o que pode prejudicar os resultados da Gol.

Parte do sucesso da empresa, aliás, pode ser explicada pelo seu crescimento entre os viajantes de negócios. Em 2013, pela primeira vez, a Gol carregou mais passageiros desse segmento no Brasil do que qualquer outra. Historicamente, essa clientela responde por 60% da base de consumidores e, no ano passado, chegou a 65%.

Essa expressiva participação, contudo, é apenas um dos fatores que fizeram a ação decolar. Além de ter cortado e racionalizado os custos para melhorar o resultado operacional — um dos principais passos para alcançar esse objetivo foi a uniformização de aeronaves — , a Gol continua a reduzir a oferta de assentos e voos em rotas menos rentáveis. Em 2014, a projeção é de uma queda de 1 % a 3% no ASK (assentos oferecidos por quilômetro) nos voos domésticos e aumento de até 8% do ASK internacional.

A mudança de rota tem sido apreciada pelo mercado. De acordo com analistas do Deutsche Bank MarketsResearch, os fundamentos da Gol devem continuar melhorando em 2014, e este pode ser o primeiro ano em que a companhia terá lucro desde 2010. As primeiras indicações são favoráveis. O PRASK (receita consolidada por passageiro por assento-quilômetro oferecido) líquido cresceu 19% em março; no trimestre, subiu 18%. A taxa de ocupação atingiu 76,1%.

Mas ainda há riscos de solavancos. O principal é o dólar, já que 60% dos custos da companhia são denominados nessa moeda. Em 2013, o custo operacional por poltrona disponível por quilometro (CASK) subiu 0,6% no quarto trimestre, devido ao aumento de 11% na cotação do dólar no período. Embora a rota esteja ajustada, a boa decolagem da Gol ainda depende do comportamento da moeda americana.

A escolha das companhias para esta seção é feita a partir de um levantamento da Economática com a oscilação e o volume negociado mensalmente por ações que possuem giro mínimo de R$ 1 milhão por dia. A partir daí, são escolhidas aquelas que se destacam pelas variações positivas e negativas nos últimos seis meses.


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