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Mini-IPOs de startups crescem 1.200% em 2015

Frederico Rizzo*/ Ilustração: Julia Padula

Enquanto a Bovespa registrou apenas um IPO neste ano, o número de ofertas públicas de startups cresceu 1.200% em comparação com 2014, para 13 no total. Foram captados R$ 4,1 milhões, vindos de aproximadamente 400 investidores. Conhecida como equity crowdfunding, essa modalidade de financiamento de novos negócios é dispensada de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), conforme prevê o parágrafo 5º da Instrução 400 (o texto autoriza pequenas e microempresas com faturamento anual máximo de R$ 3,6 milhões a captar até R$ 2,4 milhões por ano).

Ao utilizarem a internet para acessar um número significativamente maior de investidores (em comparação a uma oferta estritamente privada), os empreendedores conseguem levantar capital-semente para estruturar os negócios com velocidade maior ou termos melhores. Já os investidores, que não tinham em sua grande maioria acesso a essa classe de ativos, podem diversificar o portfólio apostando em empresas inovadoras, que crescem de forma acelerada.

O perfil das ofertas

Das 13 empresas que captaram recursos via equity crowdfunding em 2015 no Brasil, 58% estavam em fase de expansão e 42% na etapa de validação da ideia. Por serem mais arriscadas quando estão nos estágios iniciais, as startups em fase de validação obtiveram valuation médio de R$ 2,3 milhões, enquanto as empresas em expansão foram avaliadas em R$ 3,3 milhões, na média — uma diferença de 43%.

Outra característica marcante das captações pela internet é a velocidade: a maior exposição aos investidores acelera consideravelmente o processo, conforme a lei clássica de oferta e demanda. Enquanto é comum uma empresa levar seis meses para concluir uma rodada na modalidade privada de captação, nas operações via crowdequity feitas no Brasil neste ano a média foi de apenas 41 dias — o que significa, na prática, que houve casos em que as startups conseguiram o capital almejado em apenas quatro dias!

Em relação aos setores de atuação, 85% das empresas da amostra têm a tecnologia como atributo-chave do modelo de negócio — as duas exceções são uma empresa de coworking e outra de alimentos naturais para pets. Entre as 13 startups que concluíram as operações (há mais de uma dezena delas captando atualmente), 15% têm como foco fintech, 15% atuam no varejo e outras 15% oferecem serviços de assinatura — em que o cliente recebe uma caixa com produtos selecionados todo mês. As demais atuam nas áreas de educação, reforma e construção, marketing digital, aplicativos, entre outras.

Por fim, talvez a característica mais importante: a equipe fundadora. Entre os empreendedores, 83,3% têm experiência prévia no mercado de atuação ou já haviam criado alguma empresa anteriormente. Em relação à formação, todos os fundadores têm superior completo — e 57,7% também possuem algum tipo de pós-graduação. Uma feliz surpresa é o grau de diversidade dos times: 31% contam com uma mulher entre os fundadores. E, confirmando o caráter jovem dos empreendedores de startups: 81% estão na faixa de 18 a 35 anos.

A importância do investidor-líder

Investir em startups não é fácil. É muito comum obter mais dinheiro com o melhor investimento do portfólio que com todo o restante somado. Por isso, o grande medo do investidor é ficar de fora desse único investimento extraordinário que irá proporcionar todo o ganho de capital. Mas como garantir acesso às startups que podem se tornar unicórnios?

Em geral, as oportunidades de maior potencial tendem a ter rodadas bastante disputadas no estágio semente (isso porque os valores captados são relativamente pequenos).  É imprescindível ao investidor ter uma boa rede de contatos para que consiga acessar os negócios vencedores — afinal, os fundadores mais sofisticados escolhem a dedo os investidores certos para alavancarem seus negócios.

É nesse contexto que se inserem os investidores-líderes: pessoas com experiência em investimento-anjo ou em determinados segmentos e que, por isso, são procuradas por empreendedores em busca de capital não apenas financeiro, mas também humano (mentoria, conexões). Das 13 ofertas realizadas neste ano, 11 possuíam um investidor liderando
a rodada.