Marcas do passado (Panamericano)

Banco está mal na fita, mas acordos com a Caixa já oferecem retorno positivo

Alta & Baixa/Captação de recursos/Edição 128 / 1 de abril de 2014
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O Banco Pan, antigo Panamericano, ainda paga pelos erros e fraudes do passado. Do começo do ano até 10 de março, suas ações caíram 21,8%. A instituição está há dois anos seguidos no vermelho: teve prejuízo de R$ 496 milhões em 2012 e de R$ 152 milhões em 2013. O último rombo, contudo, se explica em grande parte por eventos extraordinários.

Um deles foi a adesão do banco ao Programa de Reestruturação Fiscal (Refis), em novembro. O Pan saldou R$ 536 milhões de dívidas fiscais em novembro e ganhou redução nos encargos, entre juros e multas, da ordem de R$ 289 milhões. Esse montante, junto com créditos tributários de anos anteriores, acumula R$ 2,8 bilhões que a instituição só poderá registrar em balanço quando gerar lucro. Outro evento foi o acordo fechado em dezembro com 13 investidores, relativo a CDBs emitidos ainda sob a gestão do Grupo Silvio Santos. O banco teve um ganho contábil de R$ 83,5 milhões na operação, mas gastou cerca de R$ 33 milhões com advogados.

Limpar o passado é apenas uma parte da questão; a outra é reestruturar a operação. O problema do Pan não é originar ativos de crédito, mas possuir uma estrutura de capital que lhe permita carregá-los, para gerar valor de forma sustentável. Mora aí a sua estratégia de reestruturação: criar e, sobretudo, manter mais ativos.

Tem dado certo. A originação média de créditos somou R$ 1,2 milhão por mês em 2013, 61,1% acima da média de 2012. A despesa líquida de provisão para créditos duvidosos, por sua vez, foi 40% menor em 2013 que no ano anterior. O banco também melhorou suas fontes de financiamento, acreditam os analistas do Goldman Sachs. Nos últimos dois anos, fechou acordos operacionais com a Caixa em que cedeu créditos à estatal em troca de recursos equivalentes.
Assim, a Caixa garante os empréstimos.

Tudo corria bem até aparecer um Banco Central no caminho. Os juros subiram e, como explicou o diretor de relações com investidores Willy Jordan, o Pan se viu obrigado a vender mais créditos para terceiros do que havia programado, já que sua margem financeira ficou pressionada pela impossibilidade de repassar imediatamente a alta aos empréstimos.

Agora, os controladores BTG Pactual e Caixa planejam capitalizar novamente a instituição. Com mais dinheiro, o banco fecha 2014 no azul, na previsão dos executivos. Se isso acontecer, o Pan poderá utilizar, finalmente, os créditos tributários acumulados. Como sempre, para isso ocorrer, é preciso dar lucro.


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