Máquina reprogramada

Bematech integra empresas adquiridas e muda estratégia; ações dobram de valor

Captação de recursos/Edição 116 / 1 de abril de 2013
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Ela está no hotel, na loja de eletroeletrônicos e em fast-foods. Seus hardwares, softwares e serviços ajudam redes varejistas e hoteleiras a realizar vendas, rastrear consumidores, organizar o pagamento de impostos, gerenciar estoques e fluxos financeiros. A Bematech, enfim, é estratégica para seus clientes. Em 2012, passou também a ser muito rentável e atraente para os investidores.

O preço das ações da Bematech, especializada em automação comercial, praticamente dobrou entre fevereiro do ano passado e 15 de março último — alta de 99,7%. A empresa teve um 2012 auspicioso, com lucro de R$ 32,5 milhões, revertendo o prejuízo de R$ 42,4 milhões registrado em 2011. Os resultados foram crescentes e, no último trimestre do ano, o lucro líquido chegou a R$ 10,8 milhões, alta de 884% sobre igual trimestre do ano anterior.

Foram esses bons números que fizeram a Bematech passar a frequentar o radar dos analistas de mercado financeiro. A companhia está agora colhendo os frutos de um processo de reestruturação bem-sucedido. “É um caso de sucesso”, diz Sandra Peres, da corretora Coinvalores. Ela recomenda a compra das ações da empresa e projeta continuidade da melhora dos resultados em 2013 — embora seja importante lembrar que, nesse setor, o risco de a atividade ser superada por novas tecnologias deve ser sempre considerado.

A reestruturação começou em abril de 2011, quando Cleber Morais e equipe assumiram o comando. As tarefas mais importantes e urgentes foram equacionar custos e integrar as empresas adquiridas desde 2008. A Bematech tinha sido bastante agressiva em suas compras. Arrematara sete empresas em 2008, dentre elas a americana Logic Controls, que faz terminais de venda com telas sensíveis ao toque, a Snack Control e a Mister Chef, especializadas no segmento de alimentação. No ano seguinte, adquiriu 51% do capital da CMnet, especializada em software para o setor hoteleiro, e, em 2012, levou os 49% restantes. Com essa tacada, adicionou ao seu portfólio o atendimento a cerca de 2 mil hotéis no Brasil e a outros 200 no Chile, na Argentina e em Portugal.

O movimento foi visto com desconfiança pelo mercado. Por duas razões: algumas aquisições saíram caras, na avaliação de analistas, e os resultados esperados não apareceram na velocidade que a Bematech havia prometido. Enquanto os prejuízos pintavam o balanço de vermelho, as ações eram esquecidas na bolsa.

Para completar, em 2011, ano em que a reestruturação começou, o setor de serviços da companhia sofreu um duro golpe: suas receitas caíram 61% na comparação com o ano anterior. O contrato com a Ingenico, fornecedora de equipamentos para vendas com cartões de crédito e débito que respondia, sozinha, por metade das receitas da área de serviços, não havia sido renovado. Desde então, a Bematech faz questão de frisar aos analistas que nenhum cliente hoje representa mais de 10% das receitas.

A perda desse importante cliente e a pouca (ou nenhuma) sinergia até então capturada com as aquisições — apenas a perda de margem e resultados tinha sido registrada — foram os alvos da reorganização que começou com a nova direção. Além do controle de custos, o processo envolveu mudanças no modelo de venda de equipamentos e na estratégia de distribuição por canais. O foco deixou de ser o produto e passou a ser o cliente. Em 2012, com a mesma lógica de concentrar os esforços no usuário, a área de software foi reestruturada.

A expectativa é que as receitas produzidas pelas divisões de software e serviços cresçam e aumentem sua participação no bolo de receitas da companhia, avalia Sandra, da Coinvalores. Hoje, a venda de softwares é responsável por pouco menos de 30% do faturamento; a de serviços, por cerca de 10%. A área de hardware, preponderante, responde por 60%.

Um acordo fechado em setembro do ano passado com a Elavon, processadora de pagamentos com cartão, é uma das iniciativas que ajudam a pavimentar esse caminho. A partir da parceria, a Bematech vai poder oferecer a sua base de 40 mil clientes uma solução tecnológica para transações de débito e crédito com as bandeiras Visa, Mastercard, Diners e Discover, agregando rentabilidade ao negócio. “É um acordo bastante vantajoso, já que o investimento será relativamente baixo e 50% da receita gerada será embolsada pela Bematech”, afirma Sandra.

Hoje, a companhia está presente em 500 mil estabelecimentos comerciais no Brasil e no exterior. Fornece hardware, software e serviços para redes de varejo como Magazine Luiza e Eletrolar, franquias como Boticário e Bob’s, além de hotéis como Blue Tree, Bristol e Accor. Em todos esses segmentos, é líder de mercado. Sua estratégia atual, construída ao longo do processo de reestruturação, “é transformar cada um desses pontos de venda em um ponto de prestação de serviços”, revela Marcel Vedrossi, diretor de relações com investidores da empresa. A alta das ações nos últimos meses indica que o mercado apoia o projeto.


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