IPO mais que indesejável

A recessão econômica, a desconfiança de empresários e investidores e o clima generalizado de desânimo vêm marcando os últimos meses no mercado de capitais brasileiro. Os tempos não têm sido propícios a novos IPOs. Nesse mesmo interregno, a imprensa noticia diversos modelos para uma possível …



Ney Carvalho (Ilustração: Rodrigo Auada)

Ney Carvalho (Ilustração: Rodrigo Auada)

A recessão econômica, a desconfiança de empresários e investidores e o clima generalizado de desânimo vêm marcando os últimos meses no mercado de capitais brasileiro. Os tempos não têm sido propícios a novos IPOs.

Nesse mesmo interregno, a imprensa noticia diversos modelos para uma possível abertura de capital da Infraero, estatal que ainda administra centenas de aeroportos brasileiros.

Ora, o acionista controlador que submete sua empresa ao escrutínio de investidores por meio de um lançamento público de ações deve, antes de tudo, ter currículo irrepreensível de valorização do patrimônio comum e cuidados extremos com os recursos de terceiros sob sua gestão.

Não é o que tem revelado o Estado brasileiro na condução das estatais de capital aberto mais relevantes para a economia nacional — e mesmo de outras menos notórias. O sufixo “bras” transformou-se em sinônimo de corrupção endêmica, ineficiência administrativa, desperdício avassalador e, como consequência, passou a significar destruição de valor para os acionistas particulares. Isso tudo sem levar em conta o desastre na gestão dos fundos de pensão dessas companhias.

Será com esse prontuário, que alcança numerosas vertentes do Código Penal, que o controlador da Infraero se apresentará ao mercado para solicitar a captação de poupança privada. Parece missão impossível.

Após o Brasil ter perdido o grau de investimento pelas três maiores agências de avaliação de risco, a perspectiva de se angariar investidores externos é praticamente nula. Não há maquiagem contábil ou road show bem planejado que reverta o quadro.

Por sua vez, o mercado interno mais sofisticado, constituído por gestores de ativos financeiros, é grande conhecedor de todas as peripécias que levaram as empresas governamentais ao precipício. Dificilmente se convencerá de que com a Infraero há de ser diferente.

Resta o varejo miúdo dos pequenos clientes de bancos estatais, desavisado e distante de análises mais requintadas. Esses devem ser as vítimas preferenciais da nova aventura do mais nefasto controlador de empresas de que se tem notícia na história do capitalismo. As reportagens dão conta de que o Banco do Brasil estaria encarregado dos estudos necessários e da coordenação do pool de lançamento.

Por todas essas razões — e até uma longínqua correção de rumos, ou mesmo uma nova onda de privatizações — seria prudente um recuo nessa intenção de abertura de capital da Infraero. O mercado não quer mais saber de estatais.


Ney Carvalho (artehist@terra.com.br) é historiador e colunista da CAPITAL ABERTO


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