Ganho líquido e certo

Vendas de cervejas premium e melhora no resultado operacional dão gás à AmBev

Captação de recursos/Bimestral/Edição 98 / 1 de outubro de 2011
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Fora os serviços de utilidade pública, poucos são os setores da Bolsa de Valores que oferecem certa segurança em períodos de turbulência. Um deles, sem dúvida, é o de bebidas, pois retém consumidores mesmo num cenário de restrições de crédito e alta de preços. Esse aspecto se reflete no comportamento das ações preferenciais (PN) da AmBev, que acumulam alta de 13% no ano (até 26 de setembro). Boa geradora de caixa, resistente à deterioração da economia e sob uma gestão reconhecidamente eficiente, a gigante do setor de bebidas tem atraído investidores em busca de um refresco na crise: em 12 meses, a valorização chega a 46,3%.

Se as características defensivas já colocariam os papéis da AmBev na contramão do mercado, as perspectivas otimistas para o negócio reforçam a tendência. Em função do aumento da renda disponível, decorrente da elevação do salário mínimo, espera–se ampliação do consumo per capita de cerveja, bebida que representa 60% da geração de receitas da companhia. “No Brasil, o consumo está em torno de 55 litros por pessoa. Em países desenvolvidos, fica na casa de 100 litros”, comenta Renato Prado, analista da Fator Corretora.

Melhores ainda são as expectativas de crescimento especialmente acentuado no segmento de cervejas premium, de maior valor agregado. Em agosto, a fábrica de Jaguariúna (SP) começou a produzir a famosa marca norte–americana Budweiser. O produto foi lançado apenas em São Paulo e no Rio, mas logo deve chegar às outras regiões do País. Para divulgar a nova integrante do portfólio, a empresa tem patrocinado shows de artistas de renome internacional, como Eric Clapton, Aerosmith, Pearl Jam, Britney Spears e Rihanna.

Atualmente, a linha premium já contribui com o resultado da companhia, elevando a margem bruta. Garrafas de Stella Artois, cerveja originária da Bélgica, saem de Jaguariúna desde 2005, quando a AmBev se aliou à belga Interbrew e formou a maior plataforma de fabricação e comercialização de cerveja do mundo. Do ano passado para cá, as vendas dispararam: 200% no primeiro semestre contra igual período de 2010. Colaborou para esse incremento o investimento em uma estratégia de marketing baseada, principalmente, em patrocínio de eventos VIP, como Casa Cor e campeonatos de tênis.

De forma geral, os resultados da empresa têm agradado. Os investidores foram brindados com um lucro líquido acima do esperado entre abril e junho, no montante de R$ 1,8 bilhão — 21,4% maior em relação ao mesmo período de 2010 e 8,12% superior ao projetado.

A companhia também mostrou eficiência ao limar despesas administrativas e exercer um bom controle de custos, neutralizando o efeito da elevação de matérias–primas e embalagens. Na comparação do segundo trimestre de 2010 com o segundo de 2011, o Ebitda, índice que mede a geração de caixa da empresa, cresceu de R$ 2,4 bilhões para R$ 2,6 bilhões, elevando a margem de 42,4% para 44,4%. Na avaliação de analistas, a busca da AmBev por maior eficiência não se encerrou ali. “Ainda há espaço para mais ganhos de margem”, avalia Eduardo Oliveira, da equipe de análise da Um Investimentos.

Nem tudo, porém, segue redondo na companhia. No mesmo período, a AmBev computou queda de 2,6% no volume geral de vendas de cerveja, em comparação com igual período do ano passado. A bebida feita da cevada é a peça mais importante da rentabilidade da AmBev. Na divulgação do resultado, a empresa alegou que parte da queda se deve à base de comparação, já que a Copa do Mundo de 2010 — a grande festa do futebol que se iniciou em junho do ano passado, na África do Sul — havia impulsionado fortemente as vendas do período. À mudança de contexto somou–se a diferença de preço em relação aos competidores. A AmBev elevou os valores das suas mercadorias antes da concorrência, o que ajuda a entender a perda de 1,6 ponto percentual de participação de mercado no segundo trimestre ante o mesmo intervalo de 2010. Para recuperar o terreno, a companhia aposta em inovação. Lançou, neste ano, a Skol 360°, uma nova formulação da marca, que não dá sensação de inchaço (graças à fermentação de ciclo rápido), e a Brahma Copaço, lata cuja tampa sai totalmente, transformando–se num copo. E promete mais novidades: “Estamos recuperando o espaço. De janeiro a junho, ganhamos 1,1 ponto percentual, de 68,2% para 69,3%”, diz Eduardo Salles, gerente de relações com investidores. Também pesam a favor da perspectiva de um lucro maior em 2012 os investimentos no aumento da capacidade de produção. Dos R$ 2,5 bilhões anunciados, R$ 1,4 bilhão já foi empregado nas unidades de Piraí (RJ), Cebrasa (GO), Sete Lagoas (MG), Aquiraz (CE) e em Passo Fundo (RS).


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