Fome de crescer

Com um olho no pré-sal e outro na bolsa, a Brastec cogita mais compras após arrematar a SAS

Captação de recursos/Reportagem/Private Equity - Coletânea de casos 2013 / 1 de agosto de 2013
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John Streithorst, do Modal Private Equity: com mais recursos, Brastec pretende fornecer tubos flexíveis para projetos gigantescos de extração de petróleo na camada pré-sal

A comemoração pelos dez anos de vida foi em alto estilo. Com a aquisições da centenária empresa holandesa SAS, em abril do ano passado, a Brastec Technologies tornou-se uma multinacional brasileira da área de bens de capital. Para continuar festejando os próximos aniversários, traça seus planos de expansão. Com o apoio do Modal Private Equity, que já injetou R$ 100 milhões na operação, cogita novas aquisições no exterior e, em 2015, uma oferta pública inicial de ações (IPO).

Além de acelerar o crescimento da Brastec, fazendo que ela ganhe porte até estrear em bolsa, as aquisições devem ser estratégicas. É que a produtora de equipamentos para fabricação e manuseio de tubos flexíveis, usados na indústria de óleo e gás, está de olho no pré-sal, cujos projetos requerem um índice médio de nacionalização de 60%. Ao importar tecnologia para produzir aqui os equipamentos, a Brastec consolida sua posição como fornecedora das operadoras de plataformas de petróleo.

A compra da SAS foi um passo nessa direção. A empresa holandesa é especializada na fabricação de equipamentos para manuseio e lançamentos offshore (embarcados em plataformas e navios) — tarefa nada trivial, dado que os poços de petróleo estão a três quilômetros de profundidade, e os do pré-sal podem chegar a dez quilômetros de distância da superfície. Um exemplo são os guinchos de alta tonelagem, ainda não produzidos pela Brastec, mas cujo know-how é dominado pela SAS. A Brastec fortalece assim sua posição competitiva no Brasil e, de quebra, leva o histórico de 117 anos da companhia holandesa, que certamente ajudará na conquista de novos contratos.

A demanda por tubos flexíveis é bastante forte atualmente. Estima-se que só o Brasil irá precisar de 17 mil quilômetros nos próximos anos — a capacidade instalada de produção anual é de 1,3 mil quilômetro. Novos fabricantes vêm se estabelecendo por aqui para fazer face a essa procura.

A ideia é que os projetos do pré-sal impulsionem os ganhos da Brastec, mas não determinem a sobrevivência da companhia. Com a SAS, a Brastec também fica mais perto dos clientes europeus e asiáticos. A diversificação permite diluir riscos. “Agora, não dependemos somente de um país e trabalhamos com operadoras do mundo inteiro”, afirma Fabio Romano, presidente da Brastec, que veio da Suíça para o Brasil em 1998 tocar as operações de fibra ótica de uma multinacional e por aqui ficou. A empresa ganhará ainda flexibilidade para poder gerenciar melhor os custos, ao deter a opção de produzir em outros países por meio de parceiros.

O crescimento da Brastec, que já era expressivo, adquiriu mais fôlego depois da chegada do Modal. De 2007 a 2011, a expansão foi da ordem de 30% ao ano, e o faturamento dobrou para R$ 75 milhões. Até então, o incremento era obtido com recursos próprios, apenas dos adiantamentos pagos pelos clientes. No entanto, para sustentar esse ritmo, ante projetos gigantescos deslanchados pelo pré-sal, a Brastec precisou de mais recursos.

A princípio, pensava-se em vender uma parcela do capital para um sócio estratégico. Mas Romano conta que ele não queria alienar o controle. “Meu grande medo era que a empresa perdesse agilidade e flexibilidade”, diz. O negócio com o Modal foi fechado porque o perfil do private equity casou com o da empresa, tanto no porte do investimento quanto na disposição em comprar uma participação minoritária.

Em 2011, quando recebeu um aporte de R$ 70 milhões do fundo Óleo e Gás FIP, do Modal (em troca de uma participação não divulgada), a empresa faturava R$ 75 milhões. No ano seguinte, a receita havia expandido para R$ 162 milhões. Com a aquisição da SAS, também em 2012, trouxe para casa um faturamento de mais R$ 140 milhões.

A meta é faturar R$ 340 milhões neste ano. Para 2015, o objetivo é alcançar uma receita de R$ 450 milhões, se a expansão for apenas orgânica. “O faturamento e o Ebitda da Brastec cresceram acima das nossas expectativas”, revela John Streithorst, chefe do Modal Private Equity. Tal desempenho levou o fundo a fazer um investimento adicional de R$ 30 milhões em maio deste ano.

Embora não participe do dia a dia da companhia, o Modal está presente nas decisões estratégicas, como a negociação com a SAS. Parte do valor investido foi destinada à implementação de sistemas integrados de gestão (ERP) e ao mapeamento de rotinas. O fundo também ajudou a criar um plano de opções de ações para reter talentos. Streithorst é membro do conselho de administração, que conta com mais quatro integrantes, um deles externo.

A Brastec surgiu em 2002 como um escritório de venda de serviços de engenharia com apenas cinco funcionários. Os negócios caminharam bem, mas o divisor de águas foi em 2004, quando a companhia assumiu um projeto turn key (que inclui desde a engenharia até a entrega das instalações e equipamentos de fabricação terceirizada) para uma fábrica da Wellstream, posteriormente comprada pela GE Óleo e Gás.

O bom desempenho trouxe novos clientes e, em 2007, a Brastec inaugurou uma fábrica própria em Jundiaí (São Paulo). Seus clientes são empresas
como GE e NKP. Agora, a companhia torna-se séria candidata a ofertar ações. “Acreditamos que 2015 será um bom ano para o IPO, se houver condições de mercado”, observa Romano.


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