Em transformação

Com o apoio da aceleradora 21212, site Igluu é remodelado e tenta se tornar rentável

Captação de recursos/Reportagem/Private Equity - Coletânea de casos 2013 / 1 de agosto de 2013
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Frederico Lacerda, da 21212: com aporte de R$ 20 mil e o equivalente a R$ 200 mil em serviços, gestora promoveu a reestruturação do site Igluu

A casa de João Leal vivia cheia de gente, mas a geladeira e a despensa estavam quase sempre vazias. Não era por dificuldade financeira: é que ninguém de sua família conseguia se organizar para ir ao supermercado. Pensando que muitas outras pessoas poderiam ter o mesmo problema, Leal teve a ideia de criar um site que permitisse ao usuário fazer uma lista compartilhada de compras, pesquisar preços em vários mercados e comprar os itens online, com a comodidade de recebê-los em casa. Assim nasceu o Igluu — que nesse formato, entretanto, não permaneceu por muito tempo.

Em meados de 2011, o Igluu era pouco mais que um projeto quando Leal resolveu bater à porta da aceleradora de empresas 21212 (pronuncia-se vinte e um dois um dois, numa referência aos códigos telefônicos do Rio de Janeiro e de Nova York). Ele havia vendido o carro para tentar colocar o negócio de pé, mas não tinha mais recursos nem experiência em todas as áreas necessárias para tocar a pontocom. Com um aporte de R$ 20 mil e o equivalente a R$ 200 mil em serviços, a 21212, um misto de incubadora e fundo de investimento, promoveu a reestruturação do site.

Nos planos de Leal, que tinha empreendido no mundo físico, mas não no virtual, a principal fonte de receita seriam as comissões que o Igluu receberia dos supermercados, quando os usuários comprassem por intermédio do site. Na prática, porém, as pessoas utilizavam o Igluu para fazer a lista, mas preferiam imprimi-la e comprar nas lojas pessoalmente. Os mercados, de seu lado, mostraram pouco interesse em fazer parceria: seria necessário direcionar um volume muito grande de compras para adquirir poder de barganha e negociar boas comissões. Além disso, vários estabelecimentos ainda não têm logística adequada para entregar ingredientes frescos.

Foi então que o site mudou o foco e virou uma espécie de assessor nutricional. Por meio da sugestão de cardápios semanais e de receitas, ajuda as pessoas a decidirem o que comer (com uma lista de compras acoplada). O Igluu tornou-se uma comunidade que integra chefes de cozinha, que enviam suas receitas, e cozinheiros amadores. A comparação de preços entre diferentes mercados foi desativada. “Vimos que os usuários se interessavam pelo site, mas que o modelo de negócios, do jeito que estava, não daria certo”, diz Frederico Lacerda, sócio-fundador da 21212.

Agora que a empresa já saiu da fase de “montagem”, o desafio é encontrar fontes de receita que tornem o negócio rentável. Os recursos que entram hoje, basicamente, vêm das comissões que o Igluu recebe sempre que um usuário contrata um chefe de cozinha para algum evento (uma das soluções oferecidas). O site tem, atualmente, 13 mil usuários e 250 chefes cadastrados que oferecem cerca de 2 mil cardápios semanais. A empresa conta também com uma parceira com o Organomix, mercado de orgânicos do Rio de Janeiro, que paga uma remuneração sobre as compras fechadas por meio do site.

Embora o Igluu ainda seja deficitário, passou da fase inicial de desenvolvimento e entrou para o portfólio da 21212, composto atualmente de 23 empresas. Em abril, o site recebeu aportes também de um par de investidores-anjo. Na aceleradora, são dois os estágios de investimento, explica Lacerda: no primeiro, que dura de quatro a oito meses, a companhia investida fica incubada na 21212, que lhe dá suporte para que se estruture em todas as áreas. Se tudo der certo, ela passa para a fase de crescimento e entra no portfólio. Caso a investida não se mostre viável, o fundo deixa de trabalhar com ela.

O Igluu ocupou as dependências da 21212 entre setembro de 2011 e março de 2012, durante seu estágio inicial. Lá, recebeu assessorias jurídica, contábil, financeira, de informática e recursos humanos. Nove pessoas da equipe de Lacerda trabalharam na renovação do site. Ele afirma que aplica no Brasil o modelo americano de aceleradora. Além de fornecer ampla plataforma de apoio às investidas, a 21212 trabalha com mentores. São empreendedores e executivos que prestam assessoria como forma de se manterem atualizados, expandirem sua rede de contatos e buscarem soluções para os próprios negócios. Da lista de parceiros constam profissionais de companhias como Facebook, Amazon e Google.

Devido ao tempo de retorno mais demorado e ao risco elevado apresentado pelas startups, o alvo principal da 21212 tem sido companhias da área de tecnologia que já possuem produto e mercado, mas precisam de suporte para crescer. O primeiro ponto analisado é o time à frente dos negócios. Em seguida, os olhos se voltam para o problema que a empresa se propõe a resolver e a solução por ela apresentada. A aceleradora dá preferência, agora, a companhias com potencial para se tornarem internacionais e que sigam modelos de negócio de sucesso comprovados no exterior. Enquanto isso, mantém as apostas no Igluu. A expectativa é que, dessa vez, bata à sua porta um comprador estratégico.


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