Em mutação

Investidor enxerga oportunidades em nova reviravolta da Paranapanema

Captação de recursos/Edição 115 / 1 de março de 2013
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A Paranapanema já mostrou ter capacidade de se reinventar. Nasceu como construtora na década de 1960, transformou-se, dez anos depois, em uma mineradora de estanho e, desde 2009, se dedica à produção de semielaborados de cobre. A habilidade em redirecionar os negócios vem respaldando as atuais apostas nas ações da empresa, que tem desafios consideráveis pela frente. Seus papéis, negociados no Novo Mercado, registraram alta de impressionantes 136,36% entre agosto de 2012 e janeiro deste ano.

Em meio ao trabalho de garimpo por ações ainda baratas, os investidores enxergam oportunidades de ganho em mais uma eventual reviravolta da Paranapanema. A situação da companhia está longe de ser confortável. Seu endividamento é elevado, de R$ 744,317 milhões. E como lembram Bruno Piagentini e Marco Aurélio Barbosa, analistas da corretora Coinvalores, “73% desse volume está concentrado no curto prazo, vencendo nos próximos 12 meses”. Da mesma forma, os resultados recentes ficaram a dever. O último deles, no terceiro trimestre de 2012, mostra prejuízo de R$ 177 milhões, contra um lucro de R$ 6,3 milhões no mesmo período do ano anterior.

A Paranapanema ressurge no radar do mercado financeiro depois de já ter sido a ação mais importante negociada em bolsa, nos idos dos anos 1980. Sozinha, representava quase um terço do Ibovespa. Era a grande blue chip e todo analista que se prezava conhecia, em detalhes, a mineradora. Na década de 1990, a empresa teve seu controle transferido para a Previ, fundo de pensão do Banco do Brasil, quando a queda vertiginosa do preço do estanho e a morte do fundador da companhia, Octávio Lacombe, atingiram em cheio o negócio. Seus papéis, como consequência, perderam relevância.

Hoje, já com a atuação concentrada no segmento de cobre, a Paranapanema volta a ser acompanhada de perto por profissionais do mercado financeiro, atentos ao processo de reestruturação em curso. O momento é também de mudanças internas. A participação que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tinha na empresa (de 17,23%) foi transferida para a Caixa Econômica Federal no fim do ano passado. Na mesma época, Luiz Antonio de Souza Queiroz Ferraz Júnior, então presidente executivo da empresa, renunciou ao cargo. O ex-vice presidente Edson Monteiro assumiu o comando interinamente no dia 31 de janeiro de 2013.

A companhia tem um plano de voo orçado em R$ 1 bilhão. O ciclo de investimentos em modernização e eficiência começou em 2010 e se encerra em 2014. No ano passado, foram empregados R$ 350 milhões para o aumento da capacidade instalada de produção de cobre refinado na unidade Dias D’Ávila, na Bahia. Merece destaque ainda a nova fábrica de tubos de cobre, em Santo André, região metropolitana de São Paulo, com investimentos de R$ 143 milhões. A unidade deve entrar em operação neste ano e, com ela, a Paranapanema dobra sua capacidade de produção de tubos.

O cobre ganhou importância para a Paranapanema a partir da incorporação da Caraíba Metais, em 2009, e da Eluma, em 2010. Hoje, a empresa é a maior produtora de cobre refinado e líder de vendas de produtos semielaborados de cobre no Brasil. Mas só no ano passado o foco ficou mais evidente para o mercado, por conta de duas iniciativas: a implementação do plano de investimentos e, especialmente, a venda da Companhia Brasileira de Fertilizantes (Cibrafértil) para a colombiana OFD Holding Inc., por R$ 19,8 milhões, que marcou a saída da Paranapanema do setor de fertilizantes.

Com a maturação dos investimentos em curso, como a entrada em operação da fábrica de tubos e o aumento da capacidade da planta na Bahia, o atual presidente da Paranapanema espera conseguir tocar os projetos sem agravar o endividamento. Com os esforços de caixa voltados para a modernização e ampliação da capacidade produtiva da companhia, ele descarta, por ora, elevar a distribuição de dividendos para investidores.

Há outros fatores que devem ajudar a Paranapanema a ter uma melhor performance, segundo Monteiro. O cenário macroeconômico está mais favorável, “com o câmbio no lugar e o crescimento econômico superior ao de 2012”. A Resolução 13, que termina com a chamada guerra dos portos no Brasil, é uma medida que pode dar fôlego extra aos negócios. Aprovada pelo Congresso neste ano, a medida acaba com os benefícios fiscais — leia-se redução do ICMS — que ajudavam concorrentes estrangeiros.

Além disso, a Paranapanema poderá ter algum ganho na importação de matéria-prima se a previsão do International Cooper Study Group estiver correta. A entidade projeta que o mercado de cobre bruto passará, em 2013, de deficitário para superavitário, pressionando os preços da commodity (compradas do Chile e Peru) para baixo. Monteiro diz ainda que a companhia poderá obter algum ganho com a redução do custo de energia, ainda não contabilizado. Vários dos contratos de fornecimento, de acordo com o executivo, estão sendo rediscutidos. O próximo passo será a Paranapanema mostrar ao mercado os resultados de seus esforços.


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