Depois de período de queda, captações com ADRs voltam a crescer

23/10/2014

Captação de recursos/Internacional / 23 de outubro de 2014
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zombiePouca gente lembra, mas quando o Alibaba captou estupefacientes US$ 25 bilhões em seu IPO, em setembro, não estava vendendo ações, e sim recibos de ações: American depositary receipts (ADRs). Esse tipo de papel conjugou melhor as questões estruturais da companhia do que a ação faria. Para os bancos depositários dos títulos, BNY Mellon, Citi, Deutsche e JP Morgan, isso por si só seria uma boa propaganda. Mas eles se dão ao luxo de tirar a empresa de comércio eletrônico da lista quando falam do recente aumento do volume captado por meio de ADRs, para que o gigantismo não distorça as estatísticas.

No primeiro semestre, foram 41 captações globais por meio de ADRs, totalizando US$ 9,1 bilhões. O mesmo período de 2013 observou número bem mais modesto: US$ 3,6 bilhões. Desde 2011, o mercado de DRs vinha decaindo. Naquele ano, foram captados US$ 14,8 bilhões em 51 operações; em 2012, foram 31 e US$ 12,6 bilhões levantados; no ano passado, o número de captações igualou o de 2011, mas o volume foi menor (apenas US$ 10,4 bilhões).

A maioria das captações veio da China e da Rússia, seguidas pelo Brasil. A Oi captou US$ 1,1 bilhão em abril por meio de ADRs — e foi a única empresa local a se aventurar esse ano. “Passou a época em que os investidores queriam comprar o Brasil. Agora, as empresas brasileiras têm que fazer um esforço de venda. É um processo natural em economias emergentes mais maduras”, diz Christopher Kearns, CEO da divisão de DR do BNY Mellon. Kearns diz que o baixo crescimento da economia brasileira e a incerteza trazida pelas eleições constituem o principal motivo tanto para o baixo número de IPOs na bolsa local, como para a baixa emissão de recibos fora do País. De acordo com ele, algumas empresas nacionais desistiram de emitir DRs este ano por causa do cenário desfavorável, e devem retomar os planos em 2015 — estão prontas para usar o banco como depositário.

Os bancos depositários costumam sempre explicar a queda pós 2011 dizendo que o ritmo é o mesmo do mercado de IPOs. De fato, o número e o volume de ofertas iniciais de ações havia diminuído e agora está ganhando vigor. Foram US$ 99,6 bilhões captados ao longo de 2012, US$ 137,8 bilhões no ano passado e US$ 95,2 bilhões apenas no primeiro semestre de 2014, de acordo com dados da Renaissance Capital.




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