Concorrência e volumes fracos achatam os lucros das corretoras

Captação de recursos / Bimestral / Edição 96 / 1 de agosto de 2011
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As corretoras de valores vivem um momento delicado em suas finanças. Além do aumento nas taxas cobradas pela BM&FBovespa, que reformulou seu sistema de tarifas após a desmutualização, elas enfrentam uma acirrada briga de preços com os concorrentes e, para piorar, o comportamento desolador da Bolsa de Valores, atormentada pelo cenário de instabilidades no exterior. O resultado da combinação de volumes de negócios em baixa com tarifas espremidas é a compressão de margens e lucros — efeito que fica evidente nos balanços financeiros arquivados pelas corretoras na Junta Comercial.

“A fim de roubar a concorrência, há empresas que dão 99% de desconto em suas operações. Ou seja, estão ‘pagando’ para ter o cliente”, critica Peter Weiss, diretor da SLW, corretora que nos últimos dois trimestres contabilizou prejuízo de
R$ 3,2 milhões. A Souza Barros também vem passando por problemas. Desde o primeiro trimestre de 2010, apresenta prejuízos consecutivos em seus balanços. “Naturalmente, as corretoras já esperavam um mercado mais disputado, mas não o uso de políticas predatórias pelos concorrentes”, afirma Eduardo Lobo da Fonseca, diretor da Souza Barros Corretora.

David Martins, diretor-superintendente da Ancord, avalia que a perda de interesse dos investidores pelo mercado acionário, em razão da queda da Bolsa em 2011, também foi crucial na depreciação dos números. As chamadas corretoras monoprodutos, que não diversificam suas sugestões de investimento fora da bolsa de valores, continuam a perder clientes para fundos de investimento conservadores, que aplicam, por exemplo, em títulos do Tesouro brasileiro.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) deixa claro que seu papel na economia não é o de implementar políticas para reduzir ou aumentar a concorrência, pois o seu compromisso é com o investidor. “Isso não quer dizer, no entanto, que não prestamos atenção ao problema. Muitas vezes, estão embutidos nas práticas concorrenciais estímulos ao descumprimento de normas da autarquia”, esclarece Otávio Yazbek, diretor da CVM. Ele cita, por exemplo, o modo como os agentes autônomos — peças-chave das corretoras nas estratégias de batalha por fatias de mercado — atuavam antes da Instrução 497.
A norma foi criada para disciplinar o escopo das atividades desse profissional que, em muitos casos, vai além de suas atribuições e oferece recomendações de investimentos.


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