Cauda do cometa (Sonae Sierra)

Empresa de shoppings desacelera com mudança de cenário e mais concorrência

Captação de recursos / Alta & Baixa / Edição 127 / 1 de março de 2014
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Tudo pela metade do preço. Não foi uma liquidação, mas a queda no valor do papel da proprietária e administradora de shopping centers Sonae Sierra: 48,7% em apenas um ano, terminado em 5 de fevereiro. O resultado deriva da mudança de cenário, dos números fracos e da incerteza sobre o futuro da empresa.

Em 2011, quando a companhia abriu o capital, existiam no Brasil 430 shoppings. Hoje, são 536. Os empreendimentos brotaram na esteira do crescimento da classe C, da alta na renda e da expansão do crédito. Agora, esses motores aceleram menos e a concorrência é muito maior.

A Sonae controla dez shoppings no País e administra outros dois. Para Eduardo Silveira, do Espírito Santo Investment Bank, esse portfólio apresenta um risco grande, por ser menor que o dos concorrentes. E a expansão reduziu a marcha: um shopping demora mais tempo para maturar do que há três anos. Em apresentação aos investidores, o presidente da companhia José Baeta Tomás afirmou que o problema não está na demanda, mas no varejo, nas dificuldades de mão-de-obra e na gestão financeira dos lojistas.

A empresa sentiu o solavanco que as manifestações de meados do ano passado causaram no comércio. A alta nas vendas das lojas caiu de 6,1% no primeiro trimestre para 4,4% no segundo. Isso mostrou, conforme Silveira, que a Sonae Sierra é a empresa de shopping mais suscetível a uma deterioração do cenário macro. No terceiro trimestre, o avanço de 7% foi um dos mais baixos do setor. Os analistas Marcelo Motta e Adrian Huerta, do J.P. Morgan, observam que a margem Ebitda caiu de 78%, no terceiro trimestre de 2012, para 73,7% um ano depois.

No encontro com investidores, Tomás frisou que a estratégia de expansão da companhia não foi alterada: investir em lugares em que possa ser dominante e gerar caixa para, se houver oportunidade, adquirir ativos. Comentou, no entanto, que alguns dos seus shoppings miram agora as classes A e B — e não as B e C, como era o padrão da empresa.

Chamou a atenção dos analistas que, em 2014, a fita não será cortada em nenhum empreendimento. A companhia preferiu concentrar esforços na expansão de três shoppings importantes da carteira: Parque Dom Pedro, em Campinas, Metrópole, em São Bernardo, e o Franca, na cidade homônima. Os investimentos vão cair para menos da metade, e o foco está, claramente, mais voltado à consolidação do que à expansão. Para Silveira, “falta visibilidade” quanto ao caminho de crescimento, e a direção da companhia deveria ser mais agressiva.

 

 


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