Caminho pedregoso (Banco do Brasil)

Alta do spread e dos lucros impulsiona ações, mas inadimplência é ameaça iminente

Captação de recursos/Alta & Baixa/Edição 135 / 1 de novembro de 2014
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altaNuma trajetória cheia de altos e baixos, o papel do Banco do Brasil (BB) acumula valorização de 28,5% no ano, até 10 de outubro. É a força dos resultados. Em setembro, logo depois de a instituição ter divulgado o balanço do segundo trimestre, o Credit Suisse mudou sua recomendação de neutra para compra, por causa da expectativa de uma relação favorável entre risco e retorno.

O spread (diferença entre o juro pago pelo banco para se financiar e aquele cobrado do consumidor) subiu 2,9 pontos no primeiro trimestre e 4,2 no período seguinte, chegando a 7,5% — ainda menor que o dos bancos privados. Os resultados refletiram o acréscimo: o lucro da instituição no segundo trimestre atingiu R$ 2,8 bilhões, superando as estimativas em cerca de R$ 400 milhões.

Até o último dia 22, havia outro motivo importante para a alta: a possibilidade de o capital ser elevado com baixo risco de diluição dos investidores, segundo o BTG Pactual. A estratégia era trocar títulos de dívida emitidos pelo banco em 2012 (cerca de R$ 8,1 bilhões) por títulos novos que poderiam ser contabilizados como capital. Para incentivar o acionista a participar da oferta, o BB ofereceu US$ 1.180 em novos bônus para cada US$ 1 mil de papéis antigos. Os analistas consideravam a operação favorável, embora complexa. Porém, o prazo para a troca terminou em 21 de outubro e, no dia seguinte, o negócio foi cancelado por falta de adesão. Um dos motivos seria a cautela do investidor devido à eleição.

alta2No início do governo Dilma Rousseff, o BB foi usado como uma espécie de aríete para derrubar as taxas de juros bancárias. Essa política fez a parcela da instituição no mercado de crédito brasileiro crescer para 21,3%. Entretanto, como lembra Felipe Silveira, da Coinvalores, o índice de inadimplência na instituição avançou. No segundo trimestre, cresceu 0,2 ponto percentual, enquanto nos bancos privados o calote regrediu 0,4 ponto. Outro sinal negativo foi o aumento de 8,3% nas provisões para devedores duvidosos feitas pelo banco, atingindo R$ 4,57 bilhões.

Para complicar, o governo anunciou que pretende sacar R$ 3,5 bilhões de recursos do Fundo Soberano para quitar dívidas, com grande impacto no BB. O veículo possui R$ 4,3 bilhões, dos quais R$ 3,8 bilhões em participação acionária no banco estatal, de acordo com a CVM. Até agora, contudo, o Tesouro informou ter vendido entre 29 de agosto e 10 de setembro R$ 178,9 milhões em ações — quase nada. Ainda que a efetivação do negócio completo não tenha sido descartada, muitos analistas passaram a acreditar que o projeto será abandonado, dada a desvalorização que trará para o preço do papel. A dúvida, contudo, permanece.


A escolha das companhias para esta seção é feita a partir de um levantamento da Economática com a oscilação e o volume negociado mensalmente por ações que possuem giro mínimo de R$ 1 milhão por dia. A partir daí, são escolhidas aquelas que se destacam pelas variações positivas e negativas nos últimos seis meses.




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Tags:  Banco do Brasil CAPITAL ABERTO mercado de capitais spread aumento de capital inadimplência fundo soberano mercado de crédito Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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