A febre dos bondes

Na década de 1870, a Bolsa do Rio propiciou a capitalização inicial do transporte público nas cidades brasileiras e em várias e importantes capitais estrangeiras

Captação de recursos/Histórias/Edição 129 / 1 de maio de 2014
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Maio de 1872 marca o apogeu da febre de companhias de carris, os populares bondes, no mercado brasileiro. Denota, também, como era internacionalizada a Bolsa do Rio. O pregão da cidade transformou-se no centro de capitalização dos negócios dedicados ao transporte urbano por veículo puxado a burro em todo o Império — e até mesmo no exterior, por companhias nacionais.

Naquele mês, foram promovidas a criação da Companhia Ferro-Carril de Pelotas, para atuar no Rio Grande do Sul, e da Carris de Ferro de Montevidéu, que funcionaria na capital uruguaia. Logo a seguir, em junho, surgiu a Carris de Ferro de Porto Alegre e, no mês seguinte, a Companhia Carris de Ferro do Ceará, autorizada a funcionar em Fortaleza.

No entanto, essa era apenas a segunda onda. O movimento havia estreado um ano antes. No início de 1871, começaram a ser negociadas ações da Companhia de Carris de Ferro de São Cristóvão, incorporada por americanos, e antes denominada Rio de Janeiro Street Railway, dedicada à locomoção entre o bairro de elite em que residia o Imperador e o centro da cidade.

No segundo trimestre foram lançadas três novas empresas: as de carris de ferro de São Paulo, de Pernambuco e de São Luís (Maranhão), todas com intenso movimento especulativo. Julho assistiu à fundação da Ferro Carril Niteroiense, para agir na capital da província do Rio de Janeiro. No mesmo mês, iniciaram-se os negócios com ações da Companhia Locomotora, também de carris, mas exclusiva para transporte de café entre a estação da Estrada de Ferro de Dom Pedro II e os armazéns do porto do Rio de Janeiro.

Em fevereiro de 1872, o governo imperial autorizou o Barão de Drummond, folclórico inventor do jogo do bicho, a construir uma linha de bondes para o bairro de Vila Isabel. Nessa localidade, Drummond explorava um loteamento com o mesmo nome. A concessionária recebeu o nome de Carris de Ferro de Vila Isabel. Apesar de ter se notabilizado pelo folclore zoológico, o Barão de Drummond foi ativo financista e empreendedor de vários negócios nas últimas décadas do século 19.

Mais tarde, ainda em 1872, era fundada a Carris de Ferro de Lisboa. Após ter a sede transferida para a capital portuguesa, essa mesma companhia é, até hoje, em pleno século 21, a concessionária das linhas de bondes, também chamados elétricos, na cidade.

Ao apagar das luzes do mesmo ano surgiu a Companhia Locomotora Bahiana, com a finalidade de fazer a ligação por bondes entre a cidade alta e a baixa, em Salvador. Em junho de 1873 foram, ainda, lançadas ações da Companhia Carris de Ferro de Bruxelas, criada no Rio de Janeiro para explorar serviços na capital belga.

 

Desenho de bonde feito por Adolph Keifler em 1872


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