À espera da venda (Tim)

Destino indefinido de operadora de telefonia não afeta otimismo do investidor

Captação de recursos / Alta & Baixa / Edição 126 / 1 de fevereiro de 2014
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As ações da Tim subiram 56,2% em 2013, a terceira maior valorização do ano na bolsa paulista. Bem que os números positivos da companhia poderiam ter ocasionado a alta. No terceiro trimestre de 2013, último resultado conhecido, as receitas da empresa atingiram cerca de R$ 5 bilhões (alta de 7,6%), e o Ebitda evoluiu 4,2%, para R$ 1,2 bilhão. A razão entre dívida líquida e Ebitda, por sua vez, vem diminuindo: caiu de 0,32, dois anos antes, para 0,28.

Segundo Vera Rossi, da Goldman Sachs, a capacidade da empresa para entregar resultado superior ao esperado depende de gerar receita de dados — aquela oriunda de mensagens de texto, acesso a internet e outros serviços que não a telefonia. Essa receita corresponde a 23% do faturamento da Tim (a média no mercado é 27%). A ideia é ampliá-la a partir da base de clientes pré-pagos, que somam 61 milhões de linhas e começam a experimentar a internet. De acordo com as projeções da companhia, a proporção desses clientes que usam a rede pode saltar dos atuais 34% para 60% em três anos. O plano de investimentos para o triênio 2014-2016 é de R$ 11 bilhões, dos quais 90% estão reservados à infraestrutura de redes, a chave para dar acesso ao serviço de dados.

A causa principal da alta na bolsa, contudo, foi a especulação sobre a venda da Tim. Tudo começou quando, em setembro de 2013, a Telefónica espanhola, dona da Vivo no Brasil, fechou um acordo em que se tornou controladora da Telecom Italia, proprietária da Tim. No mês seguinte, as duas operadoras detinham juntas 55,8% do mercado brasileiro, com mais de 150 milhões de linhas ativas.

Para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), no entanto, o negócio feria as normas antitruste vigentes no País. Em dezembro, o órgão multou a Vivo em R$ 15 milhões por ter descumprido o acordo segundo o qual deveria se manter distante da Tim. Determinou, além disso, a venda de metade da Vivo para um operador que ainda não atue no mercado brasileiro ou o desmanche de sua participação acionária na Telecom Italia.

O investidor se beneficiará da venda, afirmam os analistas André Baggio e Marcelo Santos, do J.P. Morgan. O cenário mais provável, na visão deles, é a Tim ser fatiada entre Vivo, Claro e Oi, apesar das dúvidas sobre a capacidade da última para bancar o negócio. Embora não haja garantias de que o Cade aceitará o fracionamento, os investidores o veem com bons olhos. Neste ano, as ações da companhia chegaram a subir quase 8%, quando a ideia foi exposta pelo jornal italiano Il Sole 24 Ore. Afinal, dizem os analistas, a participação de mercado das operadoras cresceria, os custos publicitários cairiam, a rede de cada uma aumentaria, e haveria menos concorrência. Nada mal.


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