Caminho certo – Lojas Renner – 3º Lugar – VM entre R$ 5 bilhões e R$ 15 bilhões

Lojas Renner investe na abertura de unidades voltadas para públicos específicos e em moda de artigos para o lar



Quando um investidor compra ações de uma companhia, seu maior desejo é que o retorno seja fabuloso. Quem investiu nos papéis da Lojas Renner conheceu esse sabor, ao menos no período contemplado por As Melhores Companhias para os Acionistas 2011. A rede varejista, sediada em terras gaúchas, conquistou a nota máxima no quesito total shareholder return (TSR), indicador que demonstra o retorno proporcionado ao acionista em termos de valorização das ações e dividendos distribuídos. A excelente pontuação nesse quesito foi um dos ingredientes que levou a companhia a conquistar o terceiro lugar na categoria com valor de mercado entre R$ 5 bilhões e R$ 15 bilhões. A disputa pelas três primeiras posições se deu com outras 45 empresas listadas.

De cara, a notícia da terceira colocação não agradou o presidente da Renner, José Galló. No ano passado, a empresa havia ganhado a medalha de ouro. A questão é que concorria numa categoria diferente, de empresas com valor de mercado menor, de até R$ 5 bilhões. “Então, vamos torcer para a ação cair, assim voltamos ao primeiro lugar”, brinca, evidentemente, Galló. Até porque um dos números de que ele mais se orgulha é a gorda valorização obtida pelas ações da companhia desde a abertura de capital, em 2005. De lá para cá, o retorno total do acionista (TSR, na sigla em inglês) da varejista cresceu 782%. Quem preteriu o papel da empresa e optou por alocar recursos num fundo atrelado ao CDI embolsou, em igual período, 102%, segundo as contas do vice-presidente financeiro da Renner, Adalberto Santos.

No item valor econômico adicionado (EVA, na sigla em inglês), que mede o lucro real para o acionista, considerando o risco do negócio e a eficiência na utilização do capital empregado, a Renner também se deu bem. Recebeu nota 9, enquanto a mediana da categoria foi de 5,5. A companhia — que tem R$ 290 milhões em caixa para investir na abertura de lojas — cresce em ritmo acelerado. Dobrou o número de inaugurações para 30 unidades este ano e planeja manter o mesmo crescimento em 2012. A ideia é duplicar o número de lojas para 250 unidades em cinco anos.

Uma das estratégias da Renner, atualmente, é inaugurar lojas focadas em públicos específicos. Foi assim que surgiu a decisão de transformar a sua marca de moda jovem Blue Steel em uma bandeira com lojas próprias. Até agora, foram abertas duas unidades, uma em São Paulo e outra em Belo Horizonte. Em breve, mais uma deve ser inaugurada no Rio Grande do Sul. “O mercado reagiu bem à nossa estratégia, porque entendeu que não estamos fugindo do nosso negócio principal, baseado em moda e “life style”, avalia Galló.

Outra decisão importante tomada pela companhia este ano foi a aquisição da rede de lojas Camicado por R$ 165 milhões, incluindo R$ 8 milhões em dívidas. Ao fazer isso, abriu espaço para operar no segmento de utilidades domésticas — um ramo em que atuou há mais de dez anos e para o qual retorna, agora, num formato voltado mais para “moda de artigos para o lar”. Até 2003, a Renner vendia itens de utilidades domésticas, mas no antigo estilo de lojas de departamentos, tal como Mesbla e Mappin, um modelo que praticamente não existe mais no Brasil. “Vamos continuar com lojas separadas, mas entendemos que ambos os negócios estão focados em moda e têm o mesmo público-alvo”, explica Galló.

A aquisição da rede Camicado foi aprovada por 99,9% dos acionistas, em assembleia extraordinária ocorrida em maio

De origem familiar, a Camicado ainda é pequenina se comparada à Renner, que fechou 2010 com receita de R$ 2,75 bilhões e 134 lojas Brasil afora. A rede de utensílios domésticos, nascida na Rua 25 de Março, miolo do comércio popular paulistano, conta hoje com 27 lojas espalhadas por São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. No ano passado, faturou R$ 153 milhões.

A estratégia, por ora, segundo Galló, é digerir os investimentos feitos na Camicado, aproveitar as sinergias e, somente depois de “fazer o dever de casa”, partir para uma expansão acelerada de lojas da marca. A expectativa é chegar a 100 unidades da Camicado em 2015. Este ano, porém, serão inauguradas apenas duas.

O presidente ressalta que a aquisição da rede Camicado foi aprovada por 99,9% dos acionistas, em assembleia extraordinária ocorrida em maio. Primeira companhia de capital pulverizado da Bolsa, a Lojas Renner trabalha, ativamente, para aumentar o quórum de investidores nesses encontros. Divulga um manual de assembleia detalhado, com um modelo de procuração de voto e procuradores previamente designados para a representação do acionista. Também permite a participação dos investidores na assembleia, pessoalmente ou por meio de procuração, sem envio de documentação prévia. Esses itens contaram pontos para que sua nota em governança corporativa brilhasse. A Renner obteve 9,39 nesse critério, acima da mediana da categoria, de 7,76. Quando o assunto é sustentabilidade, a companhia também se mostra atenta. Em 2010, implementou um programa de gestão de resíduos sólidos, realizou seu primeiro inventário de gases de efeito estufa e aderiu ao Índice de Carbono Eficiente, da BM&FBovespa.


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