CalPERS rumo ao Brasil

Fundo californiano busca empresas que se valorizem por meio de melhorias em governance

Governança Corporativa/Temas/Edição 72 / 1 de agosto de 2009
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A CalPERS — o gigantesco fundo de pensão dos funcionários públicos da Califórnia, com patrimônio de US$ 188,5 bilhões — vai ampliar os investimentos em ações de companhias brasileiras. E com um novo viés. O objetivo agora não é mais escolher apenas as emissoras de ADRs que estão listadas nos índices globais, mas também companhias menores com grande potencial para evoluir em termos de governança. Para fazer isso, a CalPERS assinou um contrato em 15 de junho com a Cartica Capital. Gestora de recursos pilotada por ex-executivos da International Finance Corporation (IFC), a Cartica está em fase final de captação de um fundo que usará a governança como estratégia para investir em mercados emergentes.

A iniciativa da CalPERS é resultado de um movimento de realocação da carteira iniciado este ano, com vistas à internacionalização. Em meados de junho, pela primeira vez, a fundação atingiu uma proporção de 50% de investimentos dentro dos Estados Unidos e 50% fora do país. “Concluímos que um fundo tão grande como o nosso tem de ser mais diversificado, e que essa diversificação tem de estar alinhada com a capitalização de mercado nas mais diferentes regiões do mundo”, contou Anne Simpson, gestora sênior da CalPERS, à capital aberto.

O plano da Cartica é adquirir fatias minoritárias superiores a 20% de companhias com ao menos US$ 100 milhões de valor de mercado. A partir de um assento no conselho de administração, a estratégia é influir nas decisões do órgão. “Nossa expectativa é de que outros minoritários reduzam a percepção de risco da companhia ao saber que estamos lá”, afirma Mike Lubrano, sócio da gestora. Um dos alvos preferidos são as companhias familiares prejudicadas por carregar um custo de capital elevado em relação aos seus competidores no exterior. Ao melhorar a governança da empresa, os gestores esperam também reduzir esse custo.

As aquisições das participações serão feitas de forma amigável.
O objetivo é que os controladores concordem com o ingresso do fundo. No Brasil, Lubrano olha com atenção para as companhias de consumo voltado à classe C. E também para as empresas de materiais de construção, que poderão atender à demanda prevista por imóveis residenciais. Entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o país com o melhor padrão de governança, na visão de Lubrano. “A Índia tem companhias muito bem governadas, mas o país não fez o investimento em governança que o Brasil fez, através do Novo Mercado.”




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