Cada vez mais fortes, ETFs desembarcam na bolsa brasileira

Captação de recursos/Temas/Edição 64 / 1 de dezembro de 2008
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De acordo com levantamento feito pela World Federation of Exchanges, em outubro, cerca de 40% do volume fi nanceiro movimentado nas bolsas de Nova York não resultou de negociações de ações. A porcentagem diz respeito à compra e venda de cotas de fundos negociados nos pregões, os Exchange Traded Funds (ETFs). Ao redor do mundo, eles são cerca de 3 mil, mas, no mercado brasileiro, havia apenas um fundo que se encaixava nesse perfi l, o Papéis de Índices Brasil Bovespa (PIBB), lançado pelo BNDES em 2004. A situação mudou na última semana de novembro, quando a BM&FBovespa e o banco Barclays anunciaram o lançamento de três fundos de investimento com cotas comercializadas em bolsa.

Cada ETF tem como benchmark um índice de mercado. No Brasil, os fundos de índice são regulados pela Instrução 359 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que exige um mínimo de 95% do patrimônio em conformidade com a carteira de referência. “Os outros 5% podem ser aplicados em títulos públicos, mas o normal é o ETF reservar apenas uma pequena porcentagem para manter em caixa”, ensina Marcelo Allain, diretor do Barclays, banco líder no mundo na estruturação de fundos de investimentos listados.

Os índices escolhidos pela instituição foram o Ibovespa, o Midlarge Cap e o Small Cap. Os ETFs referenciados nos dois primeiros cobram taxas de administração de 0,54%, enquanto o ETF com papéis de pequenas companhias recolhe 0,69% do patrimônio. Olhando assim, essas carteiras se parecem muito com fundos de ações, mas Allain cita algumas diferenças. No ETF, o investidor sabe na hora quanto vale a cota e não no dia seguinte, como nas carteiras fora da bolsa. Outros quesitos são a segurança e a transparência, visto que eles não atuam alavancados nem são ativos, ou seja, apenas acompanham a porcentagem exata do índice. “Esses são alguns dos motivos que fi zeram a participação desses fundos no volume negociado em Nova York saltar de 29%, no início do ano, para 40% durante a crise”, avalia o diretor executivo de produtos da BM&FBovespa, Murilo Robotton.

O produto também permite ao investidor institucional fazer uma espécie de arbitragem entre os papéis que compõem a cesta e o ETF. Por ser aberto, o fundo admite também que novas cotas sejam criadas pelo mercado. Assim, basta um desses investidores montar uma cesta de papéis idêntica àquela seguida pelo ETF, entregar à corretora, e receber um pedaço do fundo. Tal operação será interessante quando houver um descolamento entre a cotação do índice seguido e a da cota. Trata-se de um instrumento voltado para institucionais, porque o lote mínimo é de 100 mil cotas, o que signifi caria R$ 3,6 milhões — no caso do ETF do Ibovespa — nos níveis do fi m de novembro. Após sugestão do Barclays, a CVM permitiu que até 5% do montante seja integralizado em dinheiro para os casos em que as ações envolvidas tiverem baixa liquidez e preço elevado.




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