Bônus em jogo

Remuneração variável dos colaboradores do Fleury depende da incorporação de 200 ações sustentáveis até o fim de 2011

Especial / Governança Corporativa / Temas / Reportagem / Sustentabilidade – Coletânea de Casos / 1 de abril de 2011
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Os funcionários do Grupo Fleury estão diante de um desafio considerável: incorporar nada menos que 200 práticas sustentáveis em diversos processos internos até o fim deste ano. Se não atingirem a meta, sentirão o resultado diretamente na conta bancária, que receberá um bônus menos polpudo. A adoção de metas de sustentabilidade para determinar a remuneração variável dos colaboradores do Fleury teve início há cinco anos e, desde então, vem ajudando o grupo a inserir práticas de sustentabilidade no seu dia a dia.

No primeiro ano, a meta global era reduzir o consumo de papel em 6%. Já em 2010, o desafio era melhorar a avaliação do grupo nos indicadores Ethos em pelo menos 20% — objetivo que a companhia cumpriu com louvor, chegando a 26%. Hoje, os funcionários não têm mais uma única meta para alcançar. Cada área é convidada a fazer sua parte. Daniel Marques Périgo, gerente de sustentabilidade do Grupo Fleury, acredita que o programa incentivou os funcionários a refletirem sobre como poderiam, individualmente ou por departamento, reduzir o consumo de recursos naturais e atuar de forma mais sustentável.

O plano de participação nos resultados (PPR) existe no Fleury desde a década de 90. Sempre que a empresa atinge 80% a 120% das metas corporativas estipuladas para o ano, há distribuição dos lucros, e o montante destinado a cada funcionário depende tanto da meta global como da individual. A sistemática foi aprimorada em 2006, com a inclusão de um conjunto de mais três indicadores ao critério financeiro, anteriormente o único a ser considerado na distribuição dos resultados. Surgiram, assim, as metas de mercado (que analisam o número de clientes e seu nível de satisfação), as de processos internos, e as de aprendizagem, inovação e sustentabilidade.

Cada indicador tem um peso diferente. O desempenho financeiro responde por 60% das metas corporativas, e o de mercado, por 20%. Em seguida, são considerados os processos internos, com 10%, e o bloco de aprendizagem, inovação e sustentabilidade, com outros 10% (dos quais a sustentabilidade equivale a 5%). Os critérios são os mesmos para todos os cargos da empresa, mas a importância da remuneração variável na composição do salário total de cada colaborador varia de acordo com o cargo, a responsabilidade e a complexidade do trabalho.

A área de sustentabilidade é uma das que mais recebem sugestões dos funcionários, por meio da Central de Ideias

“O uso de um critério de sustentabilidade para mensurar a remuneração variável foi fundamental para acelerar o processo de incorporação de práticas sustentáveis”, avalia Périgo. Não que a parte de conscientização tenha ficado de fora. O grupo já oferecia treinamento para o público interno, com o intuito de ressaltar a importância da sustentabilidade nos negócios. Mas a inclusão desse critério no bônus reforçou a importância do conceito e contribuiu para unir os interesses do empregado e os do empregador.

As primeiras iniciativas do grupo em direção à sustentabilidade datam de 1997, com medidas de gerenciamento dos resíduos produzidos durante a análise laboratorial. Em seguida, vieram a implantação da coleta seletiva, a busca e a obtenção de certificações de qualidade (ISO 9001 e ISO 14001, dentre outras) e a redução do consumo de recursos naturais. Em 2007, a empresa criou uma gerência de sustentabilidade, subordinada à diretoria de estratégia e marketing. É essa gerência, hoje, a responsável por avaliar se as ações de sustentabilidade propostas pelos diversos departamentos do grupo são válidas e, portanto, podem contar pontos para a marca de 200 iniciativas sustentáveis a ser cumprida este ano. Os técnicos da área utilizam uma metodologia interna para especificar uma pontuação mínima para as ações implantadas.

Segundo Périgo, a importância da adoção de práticas sustentáveis é percebida pelos colaboradores, embora ainda haja muito para avançar. A área de sustentabilidade é uma das que mais recebem sugestões dos funcionários por meio da Central de Ideias — um canal na intranet destinado à inovação e ao aperfeiçoamento das práticas adotadas. Uma das sugestões recebidas foi a inclusão de cláusulas de responsabilidade social nos contratos dos fornecedores de serviços e insumos que trabalham para o grupo.

Adriana Elias Gonçalves, autora da ideia, conta que, desde 2009, os contratos do Fleury com seus fornecedores são acompanhados de um documento batizado de “anexo da cidadania”. O material contém dez cláusulas relacionadas à responsabilidade social, como a utilização estrita de mão de obra adulta, critérios de gestão ambiental e valorização da diversidade. Todos os antigos prestadores de serviços se adaptaram às exigências, cujo cumprimento é supervisionado por meio de visitas periódicas. “Foi um trabalho de aprendizagem mútua que estreitou nossa relação com os fornecedores”, afirma Adriana.


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Tags:  sustentabilidade responsabilidade social Fleury Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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