Sindicatos de investimento on-line são alternativa de acesso às startups vencedoras

Seletas / Colunistas / Bolsas e conjuntura / Edição 53 / 21 de outubro de 2016
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Frederico Rizzo*

Frederico Rizzo*

Diferentemente do que ocorre no mercado de capitais tradicional, em que a cada ano são diferentes os fundos de melhor performance, no universo das startups — capital-semente e venture capital — os melhores investidores se mantêm no topo por vários anos seguidos. E o motivo é simples: nesse mercado privado de capitais, o fator mais importante para qualquer investidor é conseguir acesso aos melhores negócios.

Nas fases iniciais de desenvolvimento de uma empresa inovadora, a influência do investidor pode, de fato, fazer grande diferença. Os empreendedores sabem disso, e tendem a apresentar seus negócios primeiro àqueles anjos reconhecidamente bons de parceria. É o que muitos chamam de smart money (dinheiro inteligente), que implica a existência de alguma razão especial para a empresa escolher captar o dinheiro de um investidor em vez dos recursos de outro.

Para se ter uma ideia do quanto é restrito o acesso às startups vencedoras, nos EUA calcula-se que a cada ano surgem apenas 30 empresas que vão proporcionar retornos significativos aos seus investidores. Tropicalizando essa estimativa: se considerarmos que no Brasil surgem anualmente dez empresas de alto potencial — e que em cada uma delas há uma média de dez anjos —, estamos falando de um total de apenas 100 “sortudos” investidores por ano. Supondo que para cada “sim” o empreendedor tenha escutado outros cinco “nãos”, chegaríamos a um máximo de 500 investidores com acesso às melhores oportunidades daquele ano — o que representa míseros 0,1% dos já poucos 500 mil investidores da Bolsa.

Canais de acesso

Para quem pretende investir em startups e não tem fácil acesso direto a um fluxo de negócios de qualidade, existem intermediários para diferentes gostos e bolsos. Os grupos de anjos podem ser mais ou menos exclusivos e costumam cobrar apenas uma mensalidade dos membros; as aceleradoras em geral aceitam aportes mínimos de R$ 50 mil, mas diversificam os investimentos em uma dezena de startups a custos de transação de aproximadamente 25% e taxa de performance de 20% sobre o ganho de capital. Já os fundos de capital-semente ainda são raros, exigem investimento mínimo próximo dos sete dígitos e também cobram em torno de 25% de taxa de administração, mais 20% de taxa de performance.

Outra opção, mais recente (já que dependia de mudanças na legislação do mercado de capitais), está nas plataformas eletrônicas de investimento — o equity crowdfunding — e, em especial, na modalidade de sindicatos, uma espécie de minifundo criado para fazer um único investimento. O sindicato agrupa os recursos de uma variedade de investidores em uma sociedade de propósito específico (SPE) que, por sua vez, investe na startup ao lado de um investidor-líder. Em geral, essas operações são oferecidas a custos de transação médios de 7% e taxas de performance de 20%.

Em dezembro de 2015, a startup Easy Carros recebeu o primeiro aporte de um sindicato de investimento on-line no Brasil. Na época em sua segunda rodada de captação, a empresa levantou, com sete anjos, R$ 800 mil — dos quais R$ 250 mil foram liderados pelo investidor Marcos de Toledo Leite por meio da plataforma Broota, que estruturou a SPE para que outros 38 investidores participassem indiretamente do negócio. No mês passado, a empresa ficou em segundo lugar num concurso internacional e recebeu um investimento de US$ 170 mil de um fundo americano que tem entre seus investidores o legendário Sequoia.

Assim como no caso da Easy Carros, ainda é cedo para saber em que magnitude serão bem-sucedidas as plataformas eletrônicas como alternativa para o investimento em startups de alto nível. No mês passado, entretanto, o AngelList — uma das líderes mundiais nesse segmento — reportou uma taxa interna de retorno (TIR) líquida de 46% para o ciclo de investimento iniciado em 2013. Só no primeiro semestre de 2016, três das suas investidas foram vendidas por pelo menos US$ 1 bilhão.

É, sem dúvida, difícil prever o grau de sustentabilidade desses números no futuro. O que a evidência comprova, por enquanto, é que algumas plataformas on-line já proporcionam acesso às melhores startups do mercado e, com isso, se preparam para competir — ou colaborar — com os mais renomados investidores-anjos e fundos de venture capital.


*Frederico Rizzo (frederico.rizzo@broota.com.br) é fundador da plataforma de equity crowdfunding Broota


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