Bate-papo com empreendedores

O que fazer para evitar que transações de M&A se transformem no inferno de Dante

Bimestral/Relações com Investidores/Prateleira/Temas/Edição 85 / 1 de setembro de 2010
Por 


Mike Lazaridis era um jovem viciado em tecnologia que fazia desde a montagem de hardware caseiro até o desenvolvimento de protocolos e aplicações de software. Já tinha a sua empresa no terceiro ano da faculdade e se tornou tão ocupado que precisou afastar-se do curso no quarto ano. A partir do projeto de uma rede de dados sem fio e numa fase de noites maldormidas — seu filho acabara de nascer —, Mike criou o que chamou de “pager interativo”, um aparelho que podia enviar e receber mensagens de texto. Estava surgindo a Research in Motion (RIM), empresa que fez e desenvolveu o Blackberry que milhares de pessoas levam em seus bolsos diariamente.

Este é apenas um aperitivo das 16 entrevistas apresentadas em Start Up, cuja autora foi beber da fonte de sabedoria dos empreendedores que gritaram “heureca!”. A leitura é leve e divertida, e o mosaico que emerge dessa coletânea de experiências é significativo. Embora inicialmente fique a impressão de que todos os casos sejam da era pós-internet (Yahoo, Gmail, Hotmail, Adobe, etc.), os nomes de Steve Wozniak (Apple) e Mitchell Kapor (Lotus) nos lembram que o setor de tecnologia já existia desde a década de 70.

O roteiro das entrevistas passa por um breve perfil dos empreendedores e por uma descrição de como eles tiveram suas epifanias. É narrado o crescimento vertiginoso experimentado por essas empresas, na maioria dos casos com o apoio de algum fundo de venture capital. Em geral, os empreendedores elogiam a capacidade dos fundos de contribuir com o desenvolvimento das empresas, principalmente na atração de gestores de negócios (CEO, CFO) e na abertura de oportunidades comerciais. Mas eles também citam situações desagradáveis, em que investidores tentaram agressivamente levar vantagem nos processos de negociação.

A conversa deriva, então, para o estágio de maturidade da empresa, quando ela abre o capital ou é vendida. É aí que se inicia o processo de corte do cordão umbilical que une criadores e criaturas. Alguns levaram mais tempo, outros menos, mas todos parecem ter prosseguido em sua jornada de empreendedorismo, seja através de novos projetos, seja como investidores. Existe vida após a venda! Em seguida, o livro apresenta algumas notas finais, infelizmente dotadas de desgastados conselhos para quem está pensando em empreender.

Um exercício interessante é buscar os elementos comuns a essas histórias de sucesso. “Start ups são incrivelmente divertidas e incrivelmente estressantes; quando é bom, é bom demais; quando é ruim, é arrasador”, disse um dos empreendedores. As vidas pessoais desses “heróis da inovação” foram sempre complicadas e, provavelmente, o elemento mais importante em todas as histórias tenha sido a perseverança. Embora não seja garantia de sucesso, nenhuma ideia teria sobrevivido sem ela. Outros pontos cruciais são a necessidade de gestão quando a empresa cresce e o reconhecimento de que as habilidades para criá-la não são as mesmas exigidas para geri-la.

Em resumo, os entrevistados são pessoas normais, que trabalharam duro, guiadas por uma visão ou um senso de propósito profundamente arraigado. Nenhum deles começou sua empresa para ficar milionário. Isso acabou sendo um efeito colateral de sua perseverança, energia, visão, e, por que não, de sua sorte.


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