Atentas aos perigos

Comitê de gestão de riscos está na rotina de mais da metade da amostra

Especial/Governança Corporativa/Reportagem/Anuário de Governança Corporativa 2011/Temas / 1 de setembro de 2011
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Número ainda não é o ideal, mas indica que, pouco a pouco, as companhias estão se conscientizando sobre a relevância de adotar, dentro de sua estrutura, um comitê formal destinado ao gerenciamento de riscos. No anuário de 2010, 46,5% das empresas apresentavam um comitê com essa finalidade. Este ano, o percentual aumentou para 53%, indicando que o diagnóstico, a avaliação e a administração de riscos entraram na rotina de mais da metade das companhias com maior volume de negociação na Bolsa.

Segundo André Viola Ferreira, sócio-líder para mercados emergentes da firma de auditoria e consultoria Ernst & Young Terco, a gestão de riscos ajuda a identificar e minimizar as fragilidades da companhia. Neste anuário, 7,1% das empresas apresentaram, na visão dos auditores, controles internos com deficiências significativas. “Quanto mais acionistas a companhia tem, mais seus riscos são compartilhados”, alerta Ferreira. Ele observa que, como a gestão formal de riscos não é obrigatória, muitas vezes fica relegada a segundo plano. “Em geral, o assunto só ganha expressão depois que algum problema acontece”, avalia.

Por isso, é recomendável que as companhias montem um comitê de gerenciamento de riscos que se reporte ao conselho de administração e monitore todas as áreas da empresa. A Natura, por exemplo, adota um comitê de auditoria e gestão de riscos para assessorar o board desde 2000. “Foi uma das decisões mais importantes na companhia, porque os problemas ficaram expostos e puderam ser tratados”, afirma Moacir Salzstein, diretor de governança corporativa da fabricante de cosméticos. Uma das primeiras medidas tomadas foi mapear os riscos existentes na organização por meio de entrevistas com executivos e conselheiros.

Hoje, o comitê elabora programas anuais que visam a atacar os perigos identificados. Os gestores de cada área respondem a avaliações periódicas sobre o assunto e, uma vez por ano, o conselho discute os riscos mais estratégicos, com base nos subsídios apresentados pelo comitê.

A Natura não possui, entretanto, regras ou políticas claras, formais e detalhadas para as transações com partes relacionadas — uma falha comum entre as companhias, como revela o anuário. Cerca de 80% da amostra ignora essa boa prática de governança. De acordo com o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), o conselho de administração deve monitorar contratos com partes relacionadas para evitar abusos, garantindo que as transações sejam sempre conduzidas dentro de parâmetros de mercado e embasadas, de preferência, por laudos de avaliação independentes.

Em seu Formulário de Referência, a Natura diz que não pode comprovar que as transações que possui com partes relacionadas (contratos de prestação de serviços e aluguéis com empresas controladas) gerariam o mesmo resultado caso fossem realizadas com partes não relacionadas, mas informa que as operações são devidamente documentadas e refletem sempre os preços e demais condições de mercado. Salzstein ressalta que a Natura deve instituir regras claras sobre o assunto nos próximos dois anos. “Hoje, estamos no grupo das companhias que não têm uma política, mas o assunto não está abandonado”, garante o diretor.


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